coerência
não sou
o que
não sou
recuso-me
a sê-lo
(ria de aveiro; torreira; agosto, 2014)

à frente o A Rendeiro, seguido do Zé Rito, fazem bordos que o vento é quem manda, as marés quem ordena e os edis quem decide
(isto não é um poema. quem dera fosse)
procurei e não vi
como eu muitos
perguntando por
onde o cartaz
a imagem
as letras gordas
a divulgação
o barco ainda vivo
a regata
o moliceiro?
onde?
procurei e encontrei
mas era diverso
o que os meus olhos
as gentes marinhoas
uma junta de bois
outra freguesia
isso sim
mas não devia ser só
por vezes os discursos finais
só servem para mascarar
falsas partidas
assim vamos por cá
(ria de aveiro; murtosa; bico; agosto, 2014)
na regata deste ano participaram 11 barcos, que a seguir se listam, por categorias e com a classificação final:
Categoria A (barcos grandes)
1º A. Rendeiro
2º Zé Rito
3º Dos Netos
4º Manuel Silva
5º Câmara Municipal Murtosa
6º O Amador
Desistência : Inobador
Categoria B (barcos pequenos)
1º Cristina e Sara
2º Pequenito
3º Eco Moliceiro
4º Sermar
Notas
1 – Faltaram à chamada na categoria A :
– Marnoto
– Pardilhoense
– S. Salvador
– Manuel Vieira
2 – Parabéns ao Zé Rebelo (Papa Lamas) pela compra do Sermar, ao mestre Felisberto. É sangue novo que chega aos moliceiros.
3 – Parabéns aos jovens que ficaram em 4º lugar ( Zé Pedro; Rui Rodrigues e João Rodrigues), são uma promessa que espero não morra.
4 – Parabéns à tripulação do A Rendeiro (José Rebeço; Manuel Antão e Marco Silva) pela sua segunda vitória deste ano
(ria de aveiro; murtosa; bico; 2014)
aos moliceiros resistentes
que fique destes homens
a memória de serem enormes
maiores que os barcos onde teimam
reviver um tempo onde jovens
noivos de uma ria que bela era
mais mereciam que as mansas falas
da pequena gente
que migalhas tardias distribui
apressada no aperto de mão
no sorriso fácil
no jeito de boiar na lama
as velas enfunar-se-ão uma vez mais
os moliceiros voarão por sobre as águas
a ria rejuvenescerá
tudo parecerá ser o que já não é
sem saber até quando será
até amanhã amigos
amanhã, dia 3 de agosto, há regata no bico. o vento parece que vai ajudar…
caminhantes da ria
sabem por onde e quando
entre serra e mar
cima e baixo
navegaram anos muitos
à vela vara sirga
por esteiros cales secos
são eles que fazem
os cisnes voar
moliceiros
(ria de aveiro; murtosa; bico; regata 2012)
domingo, dia 3 de agosto, há regata no bico, murtosa. ainda ……
procura o instante
o tempo dentro do tempo
o momento em que
sem vento
tudo parece parado
à espera
nada mais ilusório
é parado que o tempo
anda mais depressa
vive agora o ser agora
o que foi
o que será
são isso mesmo
bebe o mais ínfimo
fragmento da luz
fabrica o teu instante
já passou
(domingo, dia 3 de agosto, há regata no bico, ainda ….. aparece)
estou onde os meus olhos
reencontro de mim
com o tempo mais íntimo
sou ainda o que vejo
não o que se vê
espelhado nas janelas dos dias
o que fui
o que de mim quisera
que não se perdesse
esse jovem louco e cheio de vida
o que se perdeu e se encontrou
para se perder de novo
e melhor se encontrar
o que fui
é no que sou
aquilo que te deixo
para ser ainda
guarda-o
como se a mim
(ria de aveiro; murtosa; bico; regata 2012)
domingo dia 3 de agosto, há de novo regata, ainda …. espero por ti
regata de moliceiros no bico_ 03/08/2014
no próximo dia 3 de agosto, pelas 14h30m, vai decorrer a tradicional regata de moliceiros no bico, murtosa, integrada nas festas da semana do emigrante.
de acordo com o programa elaborado pela câmara municipal e apresentado na página
http://www.cm-murtosa.pt/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=7222&divName=876&id_class=876
para quem gosta de fotografar a partir de terra, esta é a regata ideal. o percurso da regata é no sentido nascente/poente e inverso. pelo quem ficar no extremo do cais pode fotografar à vontade.
interessantes de registar são os cambanços dos barcos, que ocorrem em frente ao cais do chegado, que dista escassas centenas de metros do ponto central.
a chegada dos barcos e a sua preparação para a regata também podem proporcionar registos únicos, pelo que estar no local a meio da manhã será de ponderar.
quanto à relevância que a “pátria do moliceiro” dá à regata, a apresentação do cartaz diz tudo.
(ria de aveiro; murtosa; bico; 2010)
“NÃO MATEM OS MOLICEIROS”
já perto de s. jacinto, o moliceiro do ti zé rebeço, ultrapassa o do ti abílio carteirista.
desde o protesto de 2012, por não ter havido regata, que o ti abílio mantém a tarja “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”, no seu barco.
há mensagens que é preciso manter vivas e esta é muito forte, actual e necessária.
lembrem-se dela os que hoje se limitam a fotografar ou a descrever as regatas.
os moliceiros são homens e barcos, são seres vivos que precisam não só de olhos, mas de braços e mãos, de vozes e sentires, que se unam na sua defesa e preservação.
seja cada um de nós um moliceiro a dizer: assim não! queremos mais e melhor das entidades que mandam directamente nesta região, que são responsáveis pela cultura deste povo.
o ti abílio acabaria a regata em segundo lugar, aos 78 anos de idade, registem bem: aos 78 anos de idade.
será que não merece o nosso respeito esta geração que começou a vida “ao moliço”, na ria e que até ao fim da vida continua a fundir-se com o seu barco?
o ti abílio, fez a sua vida na alemanha, lá deixou a descendência, mas é na ria, a bordo de um moliceiro que se sente vivo.
até quando?
(ria de aveiro; 28, jun, 2014)
pinturas dos painéis
característica muito própria dos moliceiros, são as pinturas feitas nos painéis da ré e da proa.
como já escrevi antes um dos objectivos das regatas da ria é, não só, a manutenção dos moliceiros mas, fundamentalmente, a renovação das pinturas.
habitualmente quase todos os moliceiros, vêem as pinturas renovadas por altura das regatas.
para isso os prémios de presença, eram divididos em duas fatias:
– participação
– pintura
este ano, para além da desorganização, havia somente prémio de participação que, embora tenha tido um valor praticamente igual ao valor global anteriormente atribuído, não premiava especificamente a pintura.
os painéis só eram valorados em termos de concurso final.
desorganização e estrutura do apoio levaram a que só dois moliceiros da classe A (mais de 13 metros) tenham sido pintados a tempo:
– A. Rendeiro
– Zé Rito
o moliceiro “Dos Netos” ficou com as pinturas por concluir
neste registo o pai do pintor Zé Oliveira, Manuel Augusto (Necas Lameirão) pinta um dos painéis da proa do moliceiro “Zé Rito”
(ria de aveiro; torreira; estaleiro do mestre Zé Rito)