digo-me
serei mais uma gaivota
haja céu e mar
um sonho a perseguir
voarei até asas haver
(torreira; companha do marco; 2014)
“primeiro de agosto
primeiro de inverno”
(ditado da torreira)
chove em agosto
limpam-se as cores
tudo adquire por momentos
uma beleza lavada
onde os olhos se renovam
chove em agosto
e eu esqueço-me
dos insignificantes
estou vivo e isso me basta
(torreira; marginal da ria; 13/08/2015)
nunca
duas faces têm os dias
nunca saberás o peso
do fardo de ser
até te pesar nos ombros
o amargor das palavras
onde amor devia
duas faces têm os dias
verga-se não o corpo
mas o que dentro dele
mais frágil e sensível
é no mar que afogas
a raiva de seres assim
dares a outra face
nunca
(torreira; companha do marco; 2014)
o vídeo da exposição, explicado pelo mestre firmino tavares
se te apanho
deixaste os portugueses atrás
na fuga precipitada para o abismo
empurrado por uma europa
a que só resta um eu no centro
solidário consigo mesmo
deixaste os portugueses atrás
destruíste lares laços afectos
semeaste desespero fome abandonos
encheste os bolsos de alguns
fazendo deles o país não o povo
não me digas que depois de tantos
atrás deixares esquecidos que foram
menos no esbulhar dos haveres parcos
depois de tanto teres feito para tão poucos
a troco de trinta dinheiros embolsados
vigarices muitas falta de princípios basta
não me digas
portugal à frente
que à frente irás tu
tenha o povo memória
saibam as gentes o que querem
portugal à frente
e eu atrás de ti
se te apanho
(torreira; companha do marco; 2013)
no passado dia 29 de junho, publiquei no meu blog uma análise muito simples, sobre o meu entendimento do que se passa com o novo porto de abrigo da torreira, procurando demonstrar que o que “nasce torto, tarde ou nunca se endireita”
pode ler-se na íntegra em
https://ahcravo.wordpress.com/2015/06/29/no-pais-das-maravilhas/
ora bem, haverá talvez mais de uma semana que os trabalhos estão parados, como se pode ver na fotografia, e os habituais frequentadores do passeio da ria perguntavam, para quando a inauguração? entre os pescadores ninguém sabia.
assisti ao carregar do rebocador para cima do batelão e hoje, dia 30 de julho, pareceu-me que já lá não estava.
entretanto, um pescador disse-me que tinha recebido uma mensagem da associação, a dizer que a partir de 1 de setembro não podiam deixar os barcos varados entre o “guedes” e porto de abrigo.
outro, disse-me que tinha recebido mensagem a dizer que as obras se prolongavam até 30 de setembro. baralhado resolvi pedir para ler a mensagem e lá consegui. era a segunda versão a verdadeira, a mensagem diz isto:
“ Cap. Aveiro – Edital nº148 informa que obras na zona envolvente, varadouro e porto de abrigo da Torreira vão decorrer até 30/09.
Aconselhamos a leitura do edital”
entretanto, começaram a correr as habituais informações, de fontes que nem me interessa saber: que iam dragar mais a norte; que as obras iam até ao cais do “guedes” ……
o costume, quando não há informação, há desinformação.
melhor fora ler o edital, e foi o que fiz, e pode ser consultado no link:
Click to access edital%20148.pdf
e está transposto como imagem abaixo.
o que nele se lê é muito claro: “prorrogação dos trabalhos em curso”, e isto quer dizer uma só coisa: os trabalhos contratados não puderam ser concluídos a tempo e como tal a empresa a quem a obra foi entregue pediu um adiamento para entrega da obra, até 30 de setembro.
em resumo, não se vai fazer mais nada, nem vou perder tempo a discutir se se podia fazer.
aos pescadores da torreira que andaram, certamente de boa fé, a dizer que ia haver mais dragagem, ou obras, quero dizer-lhes, que nada disso está no edital. é muito claro.
se o município, ou o polis, vai fazer alguma coisa, não se vê em lado nenhum isso escrito.
fico à espera que digam o contrário do que aqui escrevo e que, com documentos, me provem que vão fazer algo mais do que acabar o que está em curso.
interessante, isso sim, seria saber o porquê do atraso. eu como tenho mau feitio, e sou conhecido por isso, até sou capaz de pensar que é para ser inaugurada com pouca gente na torreira, o que é estranho, dada a importância da obra.
ou será que têm medo de que haja protestos em vez de celebrações?
continuamos no país das maravilhas e no seu melhor.