crónicas da xávega (75)


continuo a caminhar

a grandiosidades do pescadores, mesmo se nas mais humildes tarefas

a grandiosidades do pescadores, mesmo se nas mais humildes tarefas

admiro os que a palavra vestem
como se coisa de usar fosse
consoante o momento o local
a audiência

admitem a inexistência da memória
julgando-se senhores do saber
do dizer e fazer constar

curvam-se perante eles os que
pretendendo vir a ser
mais não serão
que o terem sido úteis  quando

vivem todos de ilusões
sorrio e continuo a caminhar

o meu amigo horácio, de poucas palavras, mas todas acertadas

o meu amigo horácio, de poucas palavras, mas todas acertadas ( a porfiar o saco )

(torreira; companha do marco; 2012)

os moliceiros têm vela (124)


boa noite

gosto da ria assim, mas a cada ano que passa, parece mais impossível

gosto da ria assim, mas a cada ano que passa, parece mais impossível

no meu peito já voaram
pássaros nuno
não me lembro quando

agora nenhum nidifica
sequer num ramo pousa

sorrio aos dias
aqueço-me numa réstia de sol
sempre que posso
nem sempre quando quero

escrevo-me devagar
nunca sei se

no meu peito já voaram
pássaros nuno
não me lembro quando

boa noite

a beleza da ria e a pobreza dos mandantes

a beleza da ria é a paixão dos moliceiros

(torreira; regata do s. paio; 2012)

lembro aqui o título do primeiro e, para mim melhor, livro de nuno camarneiro: ” No meu peito voam pássaros”. façam o favor de o ler