deixem-me respirar
há quem sinta falta de ar
eu sinto falta de mar
deixem-me respirar
(torreira; companha do marco; 2012)
continuo a caminhar
admiro os que a palavra vestem
como se coisa de usar fosse
consoante o momento o local
a audiência
admitem a inexistência da memória
julgando-se senhores do saber
do dizer e fazer constar
curvam-se perante eles os que
pretendendo vir a ser
mais não serão
que o terem sido úteis quando
vivem todos de ilusões
sorrio e continuo a caminhar
(torreira; companha do marco; 2012)
boa noite
no meu peito já voaram
pássaros nuno
não me lembro quando
agora nenhum nidifica
sequer num ramo pousa
sorrio aos dias
aqueço-me numa réstia de sol
sempre que posso
nem sempre quando quero
escrevo-me devagar
nunca sei se
no meu peito já voaram
pássaros nuno
não me lembro quando
boa noite
(torreira; regata do s. paio; 2012)
lembro aqui o título do primeiro e, para mim melhor, livro de nuno camarneiro: ” No meu peito voam pássaros”. façam o favor de o ler