os moliceiros têm vela (46)


contigo quantos?

mais que barcos são homens e a sua história

mais que barcos são homens e a sua história

jamais negarei
o silêncio
as vozes por dentro
o clamor

não sei se algures
um homem poderá ainda
afastar as nuvens
num grito de sol ardente

as palavras que não digo
serão poucas
não procuro a perfeição
o meu tempo é hoje
o meu lugar aqui

sou mais um
mais um
um

contigo quantos?

se quisermos ser mais que silêncio e consentimento, seremos povo

se quisermos ser mais que silêncio e consentimento, seremos povo

(ria de aveiro; regata da ria; 2010)

crónicas da xávega (45)


o arribar da rede

cala, calão e manga - sequência do aparelho

cala, calão e manga – sequência do aparelho

a rede começa no calão: o stalone, rapaz alto, robusto e de muito músculo (vê-se na foto), agarra-o mantém-o rente ao chão

a seguir, o horácio, já amarrou à manga, o cabo de corda que servirá para que o calão passe ao lado do alador, para não se quebrar nem parar o alar

ao fundo, o alfredo, ampara a manga com o bordão, impedindo que as correntes de norte a arrastem.

stalone, horácio e alfredo - sequência dos camaradas

stalone, horácio e alfredo – sequência dos camaradas

(torreira; companha do marco; 2013)

os moliceiros têm vela (43)


traquinas

um sorriso de criança

um sorriso de criança

trago nos olhos
um sorriso de criança

uma fisga na mão
um papagaio de papel

uma bola de sabão
um carrinho de madeira

umas caricas oferecidas
um jogo por acabar

dentro de mim
nasce uma pergunta
traquina

nunca mais cresces?

um jogo por acabar

um jogo por acabar

(ria de aveiro; regata da ria; 2010)