o meu amigo joão magina


o meu amigo joão magina

do pai o  o nome também

do pai o o nome também

nasce-se na ria
como se em casa
cresce-se numa bateira
como se na rua

a vela por paixão
a ria por estrada
as redes as cabritas
as velas e as regatas

por sobre as águas
amigos tenho
de idades várias
gerações muitas

pais tios avós
todos
mas todos
com a ria no sangue

e o futuro incerto

da família a alegria

da família a alegria

(torreira; marina dos pescadores)

crónicas da xávega (49)


o meu amigo nicole

o nicole, a albina e o marco

o nicole, a albina e o marco

como grãos de areia
os dias e os amigos
vão-nos deixando perdidos
nas praias da memória
sem redes nem peixe

eu sei que estás aqui
nicole
porque te vejo e te sinto
no olhar-te

há dias para fazer
e outros para lembrar
há uma imagem
o teu rosto nela e a mão
as mãos falam-me

e tu
tu partiste para ….
não sei quando
para regressares agora

nada é
mas tudo pode ser

somos, dos que partiram, uma eternidade breve

somos, dos que partiram, uma eternidade breve

(torreira; companha do marco; 2010)

os moliceiros têm vela (56)


para o arrais marco

ricardo e sérgio, um barco, 2 filhos, um sonho que foi para aveiro

ricardo e sérgio, um barco, 2 filhos, um sonho que foi para aveiro

como as árvores
os amigos

como os diamantes
raros são

um barco voga lento
um amigo dentro

quando o homem é barco só lhe resta navegar

quando o homem é barco só lhe resta navegar

(torreira; regata do s.paio; 2010)

os moliceiros têm vela (51)


do ouvir

como se planassem

é esta a luz, é este o cantar

uma voz antiga
debruçada na janela
dos meus olhos
canta

canta como se
ouvisse outras vozes
mais antigas
cantar

cantar palavras de luz
é destino
de quem nasceu para
ouvir

ouve-as comigo

foi para ti que cantei esta canção

foi para ti que cantei esta canção

(torreira; regata do s.paio; 2010)