gosto da franqueza das gaivotas
que bom seria
se como elas tantos que por aí
pousam sem voar
(torreira; jun, 2014)
realizou-se hoje, na torreira, a tradicional procissão das bateiras, até às quintas do norte, onde foi celebrada missa na igreja da srª da paz.
por tradição a procissão realizava-se no dia de corpo de deus, que este ano foi no passado dia 19, dia que era feriado nacional.
com a anulação do feriado, pelo actual governo, a procissão foi adiada para o domingo seguinte.
(ria de aveiro; torreira; jun, 2014)
obrigado à esmeralda e ao marido, joão, por nos terem levado na bateira
chama-se aurora
traz nas veias sangue de arrais
faustino de nome próprio
homem de estórias muitas
com nome de rua
e descendentes abonde
chama-se aurora
mulher do mar da torreira
senhora do seu nariz
senhora de um físico
que põe em respeito
qualquer um
e faz dela
mulher de mar
mulher da torreira
na companha
(torreira; companha do marco; jun 2014)
finalmente começaram as obras para a construção do novo porto de abrigo dos pescadores da torreira.
de todas as comunidades piscatórias do concelho da murtosa, a maior é a da torreira, entende-se por isso que tenha sido o último, desta primeira fase.
era preciso “treinar” no fazer dos portos de abrigo mais pequenos. creio nas boas intenções de quem manda.
espero que tenham aprendido com os erros cometidos nas interiores intervenções, nomeadamente, bico e chegado.
fotos como esta não poderão ser feitas em breve, porque estes são os últimos barcos que estão no velho porto de abrigo.
vou esperar pelo fim das obras e espero estar vivo um ano depois de terem terminado.
então, todos veremos o que foi feito e poderemos dizer da obra.
para já, é óbvio, que desejo que da obra resulte um porto de abrigo com as condições que os seus utilizadores merecem, e onde não tenham de esperar pela maré para sair de um atoleiro de lama.
as obras nos portos de abrigo têm sido uma aventura nem sempre bem sucedida.
(torreira; porto de abrigo; jun 2014)
assistir ainda aos últimos
aos que ainda
emprestam beleza à ria
cisnes últimos desta laguna
que a aveiro emprestou a beleza
ide
fotografai o que deles resta
os amputados
os bastardos fibrosos aleijados
que jazem
no canal principal
ide
inventaram uma outra ria
para vender em postais
uns barcos de fazer de conta
para quem memória não tem
dos cisnes reais e seus vogares
assisto ao fim de um tempo
e dói-me
não o ter sido um dia
mas o cinismo com que se constrói
o amanhã
postais?
postais há muitos
(ria de aveiro; torreira; moliceiro do mestre zé rito; jun.2014)