xávega_o aparelhar


o saco

 
barco no mar, barco em terra, trabalho sempre.
 
neste registo podem-se ver as redes sobre a  “zorra” (espécie de maca de madeira, constituída por tábuas pregradas sobre dois rolos atravessados na face inferior), para não se encherem de areia, enquanto se começa a aparelhar o barco.
 
de notar que, neste caso, se começa pelo saco. o falecido arrais zé murta, carrega a extremidade do saco, que depois contornará a bica da ré para ficar abraçado nela.
 
(torreira, companha do murta, 2007)
 

xávega_do arribar (5)


agostinho tabalhito (canhoto)

 
ainda o barco vai de arrasto pelas areia e já começa uma outra faina, a do escoar a água que entrou no barco e areia que ficou depositada no fundo, deixada cair por calas e rede.
 
o agostinho trabalhito (canhoto) empunha um escoadouro de metal, mas que normalmente é de madeira ou, até, improvisado cortando garrafas de plástico de 5 cinco litros ou mais.
 
a este utensílio também se dá o nome “vertedouro” nas artes da ria.
 
(torreira; companha do murta; 2007)

xávega_do arribar (4)


olá sam paio_arribar

 
neste registo vê-se bem o falecido arrais zé murta, na bica da ré a segurar a cala “mão de barca” – corda que fecha o cerco e vem com o barco – laçada na bica da ré.
 
é ela que faz o fixe do barco e é através do deixar correr, ou prender, que o arrais vai deixando o barco aproximar-se de terra ou, como dizem os surfistas, “apanhar a onda” que o trará em segurança até terra.
 
por vezes, muitas vezes, são necessárias várias ondas para o conseguir. o arrais é então o verdadeiro mestre da “arte de bem arribar com qualquer mar”
 
(torreira; companha do murta; 2007)

xávega_o arribar (3)


a espera
o zé caravela e a marlene murta esperam, de ganchos na mão, o arribar do barco de mar que, pela postura e o olhar de ambos, estará para pouco.
 
este registo é o reconhecimento da marlene como mulher da torreira, sem quaisquer problemas de assumir tarefas que normalmente só aos homens cabem.
 
(torreira; companha do murta; 2007)

xávega, ainda o arribar


zé caravela
 
o barco aproxima-se de terra, está já à vista, em terra o pessoal prepara-se para as manobras necessárias ao “bom arribar”.
 
o zé, segura o cabo que tem na ponta o gancho que vai engatar no arganel da proa que, com outro camarada, com outro gancho, fará com que o barco se mantenha perpendicular à praia e seja rapidamente puxado pelo tractor.
 
delicada manobra esta.
 
(torreira; companha do murta; 2007)
 

xávega_entre os bois e os tractores


força humana
 
este registo é a memória de um tempo de transição, na xávega da torreira, em que as juntas de bois já não eram utilizadas e os tractores ainda não tinham sido introduzidos.
 
foi um tempo curto, mas em que se trabalhou à moda do início da arte, todo o esforço era humano, à excepção do motor que já se encontrava instalado no barco.
 
(torreira; século XX)