asas tivera

como pedras palavras
onde rios nasciam
desinventam caminhos
cortam raízes
resistir começa a ser
urgência de partir
asas tivera

(torreira; regata do s. paio; 2014)
asas tivera

como pedras palavras
onde rios nasciam
desinventam caminhos
cortam raízes
resistir começa a ser
urgência de partir
asas tivera

(torreira; regata do s. paio; 2014)
como se rezasse

poisado na areia o barco espera
o que das mãos do homem
fará dele instrumento completo
ouço-os sempre mesmo se não

(torreira; companha do marco; 2014)
o alfredo (pirolito) repara uma manga enquanto se aparelha o barco
sou barco aqui

de alcatrão
os rios correm
por entre caixas com buracos
sobreviventes
espreitam o céu
no sonho de serem nuvens um dia
sou barco aqui

(murtosa; regata do bico; 2008)
terror

(revoltam-me as vítimas de todas as raças
cubro-me com as bandeiras de todos os países
porque em tudo sangue)
invadem-te a casa
matam-te os filhos
com o que lhes vendeste
para que aos seus
não aos teus
invadem-te a casa
matam-te os filhos
com o que lhes ensinaste
que aos seus
nunca aos teus
o terror é a guerra à tua porta
o treino foi intenso
o material bem pago
as exportações aumentaram
os indicadores nunca tão bons
os ofchores sorridentes
nunca tanto com tão pouco
em luxuosas salas climatizadas
definem-se estratégias
estudam-se novos negócios
planeiam-se investimentos
procuram-se fornecedores
estrutura-se a rede de distribuição
definem-se percentagens a ofertar
aos agentes dos compradores
o terror é a guerra à tua porta
e isso
também é economia estúpido

(torreira, uma bateira adormecida)
meia dúzia

é este o peixe que do mar
à tua mesa
encheu os bolsos em terra
a meia dúzia

(torreira; companha do marco; 2015)
da vertigem

entre a partida
e o regresso
a vertigem
da viagem

(ria de aveiro; regata da ria; 2013)
o nosso tempo

deixo-te estas imagens
semeadas de velas
guarda-as como coisa tua
este é o nosso tempo
dentro de todo o tempo

(torreira; regata da bateiras à vela; s. paio; 2010)
ontem no mundo
ontem em paris
ontem em áfrica
ontem na américa
ontem na ásia
ontem no mundo
a morte esteve nas ruas
invadiu as matas
atapetou os desertos
semeou corpos
a morte enche os dias
do meu tempo
como encheu o tempo
todos os dias
em todas as geografias
a morte pela mão do homem
não poder ser imortal
(ria de aveiro, murtosa; cais do bico)