postais da ria (96)


palavras assassinas

levará 2 horas largar e a lar, poderá levar um dia a safar. é assim a solheira

levará 2 horas largar e a lar, poderá levar um dia a safar. é assim a solheira

pacientes as mãos sempre elas
limpam das redes os caranguejos
ferem-se esmagam quebram
preparam sábias nova pescaria

assassinas as palavras
entraram pelas malhas dos dias
depositadas por mãos alheias
saberes de vícios urbanos
habilidosos hábitos aprendidos

confundiste-as com
as malhas dos teus dias
como pescarás agora?

as garras ferem os dedos. o caranguejo infesta a ria

as garras ferem os dedos. o caranguejo infesta a ria

(torreira; varadouro do estaleiro do zé rito; 2015)

crónicas da xávega (91)


a estreia do ricardo silva

o arrais marco silva, o agostinho, o ricardo e o horácio

o arrais marco silva, o agostinho, o ricardo e o horácio

ontem fui pela última vez ao mar este ano. o mar estava manso por isso fui, nada de armar em campeão, nem de pôr em causa a atenção que o arrais tem de ter ao fazer do lanço. vou mas não existo como preocupação.

se para mim foi a última ida do ano, para o ricardo foi a primeira vez que o pai o deixou “ir ao motor” num lanço de xávega. a responsabilidade é grande, o sentir o motor nas mãos e o barco a seu mando, só quem alguma vez andou, pelo menos, dentro de um barco de mar pode sentir o que representa.

o mar estava manso, repito, o coração do ricardo pequenino, os olhos atentos ao mar, sempre a mirar o longe, enquanto o pai, o horácio e o agostinho lhe iam dizendo como fazer.

foi bom ver como todos se uniram em volta do ricardo, para que tudo corresse bem. e correu. foi um lanço de peixe e de fazer um puto sentir-se ainda mais homem….. e de um homem sorrir como um puto.

abraço ricardo, foi bom estar com todos no barco onde tu, pela primeira vez, te sentiste arrais.

quem sabe, para o ano eu volto

ao vivo e a cores

ao vivo e a cores

(torreira; companha do marco; 2015)

os moliceiros tem vela (141)


regata s. paio, 2015

em primeiro plano o moliceiro zé rito

em primeiro plano o moliceiro zé rito

vencedor: moliceiro zé rito
tripulação: zé rito; manuel rito; alfredo miranda

2º classificado: moliceiro a. rendeiro

tripulação : zé rebeço e manuel antão

3º lugar: moliceiro marco silva

tripulação: marco silva; sérgio silva e miguel silva

uma regata com pouco vento mas muita competição. a minha go pro estava montada neste moliceiro, por isso em breve teremos o vídeo da regata. haja tempo

ahcravo_DSC_2422_ze rito bw

(torreira; regata do s. paio; 2015)

“sou tudo o que aqui encontras”, notícias do lançamento


todos têm um nome, um rosto, um abraço. são amigos

todos têm um nome, um rosto, um abraço, chamam-se: amigos

o monte branco caffé estava cheio de amigos vindos de lisboa, de coimbra, do porto, de aveiro, da terra. amigos que do virtual entraram porta adentro do real e amigos são de facto. amigos de muitos anos e de muito sentir. estiveram ali os que puderam, os que quiseram e os que não podendo fizeram sentir que estavam.

foi uma noite cheia, que abriu com uma apresentação feita pelo meu amigo diamantino matos, que relembrou tempos idos da juventude comum na torreira e na murtosa, interligou, como só ele sabe, as palavras e as imagens do livro,  com todas as formas de expressão artística que tão bem conhece e domina. obrigado diamantino

obrigado a todos, que foram muitos, não só porque encheram a sala, mas porque me encheram a mim, e eu não sei de sala maior que aquela onde amigos como vocês chegam para partilhar comigo o prazer da leitura e da fotografia, de estarmos vivos juntos.

obrigado ao monte branco caffé, por tudo, por tudo.

abraço-vos a todos e somos muitos

(torreira; no dia a seguir)

a primeira edição está quase esgotada. foi uma aposta ganha.

os moliceiros têm vela (140)


felicidades

tempos felizes

tempos felizes

não percas tempo
com os fragmentos
jamais refarás
o que se quebrou

tu já não és tu
nada é o que já foi
nada será o que
podia ter sido

há um começo tardio
para um final próximo
é essa a estória do depois

é tarde muito tarde
longe vão as manhãs
só te resta esperar
e reaprender os dias

felicidades

a beleza é a ternura dos dias

a beleza é a ternura dos dias

(torreira; regata do s. paio; 2012)