os moliceiros têm vela (13)


regata da ria 2014, uma análise

o bando diminui de ano para ano

o bando diminui de ano para ano

realizou-se no dia 29 de junho, a regata anula de moliceiros entre a torreira e aveiro, promovida pela “Comunidade Intermunicipal da Ria de Aveiro”.

os prémios definidos pela organização foram os seguintes:

1- participação: 600 euros para todos os barcos (grandes e pequenos)

2- pinturas:  300; 250; 200;150;100 (consoante a classificação)

3 -regata : 150; 100; 50 (por ordem de chegada)

ou seja, um moliceiro que participasse, ganhasse o prémio de pintura e chegasse em primeiro lugar, fazia o pleno dos prémios e ganhava 1050 euros.

se pensarmos que estamos em dezembro e ainda ninguém, que seu saiba, recebeu alguma coisa, o Manuel Antão que o diga, tendo ainda em conta que, dando o dono do barco a mão de obra, para pagar matérias primas e pagar a pintura, a despesa ronda os 1.500 euros por barco…. se pensarmos nisto, a regata é financiada pelos donos dos barcos e aproveitada pelos do costume.

barcos que participaram, posição à chegada e tripulação:

1º A. Rendeiro

tripulação : José Rendeiro, Rebeço,  (74 anos); Marco Silva (38) e Manuel Antão (63)

2º Dos Netos

tripulação: Abílio Fonseca, Carteirista (76 anos); José Rebelo, Papa-lamas (30); António Salgado (59 anos)

3º Manuel Silva

tripulação: Zé Pedro (14 anos); João Rodrigues (26 anos); Rui Rodrigues, Índio/Russo (23 anos)

4º Zé Rito

tripulação: José Vieira, Rito (58 anos); Manuel Vieira (50 anos)

5º C. M. Murtosa

tripulação: José Caneira (76 anos); José Formigo (60 anos)

sem prémio de chegada

Manuel Vieira

tripulação: Manuel Vieira, Valas (59); Carlos (52)

Marnoto

tripulação; Domingos Marnoto (62 anos); Amadeu Ferreira (51 anos); António Duarte (61 anos)

O Amador

tripulação: Felisberto Amador, Caçoilo (55 anos); Sérgio Amador (42 anos)

Barcos pequenos (9 metros)

Pequenito

tripulação: Manuel Valente, Vareiro (61 anos); Soares (46 anos); Pedro Reis (33 anos)

Cristina e Sara

tripulação: Virgílio Gonçalves (76 anos); Nelson Lopes (35 anos)

vejam as idades dos tripulantes e ficam com uma ideia do futuro das regatas, se nada for feito para motivar os mais jovens.

era uma vez as regatas da ria . . . . , muito em breve

só se dermos as mãos, todos

só se dermos as mãos, todos

(ria de aveiro; regata da ria; junho, 2014)

crónicas da xávega (34) – um homem


de que massa és feito, massa?

de que massa és feito, massa?

quantos homens são
um homem?

não há azinheiras
à beira mar
nem se ouve o cante
de mais ao sul
a solidão morre na areia
sem outra voz
que a do homem
da corda

enterram-se os pés
pesado o fardo
traiçoeiro o caminho
mas um homem
um homem

quando deixa de o ser?

com a massa do massa, não se faz mais nenhum

com a massa do massa, não se faz mais nenhum

(torreira; companha do marco; 2012)

os moliceiros têm vela (12) – a propósito


para onde uns vão, já outros de lá regressam

para onde uns vão, já outros de lá regressam

“já vi fracassar o que era mais razoável
e triunfar o que era mais absurdo”

J. W. Goethe

entre o preto e o branco, quantos níveis de cinzento?

entre o preto e o branco, quantos níveis de cinzento?

(ria de aveiro; regata do s. paio; 2014)

postais da ria (51) – sou murtoseiro


 muito dura a vida na ria

muito dura a vida na ria

a minha gente
fez da água terra

atravessou o mar
em busca de outras terras

a minha gente
é desta terra
mas muitos
aqui não nasceram

a minha gente
fala de amor
quando diz

sou murtoseiro

o olhar só vê a beleza, não vê a dor

o olhar só vê a beleza, não vê a dor

(ria de aveiro; torreira)

os moliceiros têm vela (11) – tenho de ganhar o meu


a luta é dura para alguns

a luta é dura para alguns

não digo nada
não faço nada

vou lá de quatro
em quatro anos

a vida custa
custa muito a vida

tenho de ganhar o meu
tenho de ganhar o meu
tenho de ganhar o meu

de quatro em quatro
anos vou lá
nos intervalos calo-me
sempre pode ser que me safe
a mesa é pequena mas as migalhas

tenho de ganhar o meu

que isto não é para todos

que isto não é para todos

( regata da ria; 2013)

os moliceiros têm vela (10) – de mim


o manuel silva chega ao bico para mais uma festa do emigrante, verão 2012

o manuel silva chega ao bico para mais uma festa do emigrante, verão 2012

Que importa perder a vida

em luta contra a traição,
se a razão, mesmo vencida
não deixa de ser Razão”

antónio aleixo

(murtosa; cais do bico; 2012)

(murtosa; cais do bico; 2012)

há muito que soltei amarras
de cais seguros
o meu andar é o meu caminho
sempre o meu

venham os que assim quiserem
deixem-me os que não
aceito dos amigos a palavra
o abraço não o silêncio
mesmo se

serei barco até um dia
o dia em que
serei mar por já não ser

até lá serei sempre eu

os moliceiros têm vela (9)


em bando na regata da ria de 2013

em bando na regata da ria de 2013

murtosa, novo logo do município: o tempo de pensar

primeiro momento, pensemos em termos gerais sobre o regime em que vivemos, a democracia.

em democracia, através do voto, escolhe-se quem governa, mas quem governa, não escolhe sem se manter alheio aos governados, tenham ou não votado nele. governar, hoje, é tornar-se transparente nas decisões e cumprir a lei – dar o exemplo. é impensável, nos dias de hoje, uma gestão da coisa pública longe dos olhares dos cidadãos – dos jornais, à net, ninguém escapa, muito menos os que mais visibilidade social têm.

não há, por isso mesmo, após o acto eleitoral, uma maioria silenciosa, porque ganhou, e uma minoria calada, porque perdeu. é isto a democracia. as manifestações públicas de apoio e/ou de crítica são a demonstração da vitalidade de uma sociedade democrática, os que pensam que não é assim, vão outros caminhos.

carrinha logo cmm

segundo momento, o como da tomada de decisão. observadas que sejam as disposições legais que balizam o acto em causa, haverá que ter em conta, aquilo. a que se chamam “as boas práticas”. ser legal não basta, convém que seja o melhor – para isso foram eleitos: para fazer o melhor dentro da legalidade.

um exemplo, muito simples, e que é aplicado nos concursos de painéis de moliceiros. com que critérios é formado o júri? quem são os seus membros?  um júri que tenha na sua constituição pessoas com conhecimentos adequados a uma análise estética, por exemplo

terceiro momento, o caso concreto do novo logo do município da murtosa. volto a perguntar: todo o procedimento foi regular? houve a preocupação, tratando-se da imagem do município, de constituir um júri com competências consideradas necessárias para a sua aprovação? já foi aprovado?

quarto momento, do virtual ao real. tinha dito que já não me pronunciaria mais sobre ao assunto, mas entretanto, como não vivo na murtosa, fizeram-me chegar a foto, que anexo, da exibição do logo numa carrinha da câmara municipal. interessante seria saber desde quando? volto à acta de 20 novembro.

onde tudo se sabe, nada se pode esconder.

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(ria de aveiro; regata da ria)

postais da ria (50) – da liberdade


a sobrevivência na ria de aveiro

a sobrevivência na ria de aveiro

ser em cada dia
as mãos por dentro
limpas de brumas

caminhar
solto de amarras
compromissos silenciosos
aspirações irreveladas

a liberdade é um grito
contra os muros
um voo puro de ave
num céu desconhecido

nada mais te digo

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(ria de aveiro; torreira; cabrita baixa)