postais da ria (20)


 

 

cais do bico, agosto, 2012. antes da regata

cais do bico, agosto, 2012. antes da regata

 

estou onde os meus olhos
reencontro de mim
com o tempo mais íntimo

sou ainda o que vejo
não o que se vê
espelhado nas janelas dos dias

o que fui
o que de mim quisera
que não se perdesse
esse jovem louco e cheio de vida
o que se perdeu e se encontrou
para se perder de novo
e melhor se encontrar

o que fui
é no que sou
aquilo que te deixo
para ser ainda

guarda-o
como se a mim

 

(ria de aveiro; murtosa; bico; regata 2012)

 

domingo dia 3 de agosto, há de novo regata, ainda …. espero por ti

 

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crónicas da xávega, torreira (19)


 

 

 

ti horácio

ti horácio

 

tudo em nada se torna
é esse o trabalho do tempo

ao homem cumpre
em algo tornar
o nada que tudo foi

a memória
assassina-se preserva-se
constrói-se

serão rascunhos de imagens e palavras
o que vou semeando
nada mais que rascunhos

toma-os

 
(torreira; companha do marco; julho, 2014)

postais da ria (19)


regata de moliceiros, bico, 2010

regata de moliceiros, bico, 2010

 

regata de moliceiros no bico_ 03/08/2014

 
no próximo dia 3 de agosto, pelas 14h30m, vai decorrer a tradicional regata de moliceiros no bico, murtosa, integrada nas festas da semana do emigrante.

de acordo com o programa elaborado pela câmara municipal e apresentado na página

http://www.cm-murtosa.pt/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=7222&divName=876&id_class=876

para quem gosta de fotografar a partir de terra, esta é a regata ideal. o percurso da regata é no sentido nascente/poente e inverso. pelo quem ficar no extremo do cais pode fotografar à vontade.

interessantes de registar são os cambanços dos barcos, que ocorrem em frente ao cais do chegado, que dista escassas centenas de metros do ponto central.

a chegada dos barcos e a sua preparação para a regata também podem proporcionar registos únicos, pelo que estar no local a meio da manhã será de ponderar.

quanto à relevância que a “pátria do moliceiro” dá à regata, a apresentação do cartaz diz tudo.

 

 

(ria de aveiro; murtosa; bico; 2010)

a memória do alfredo no seu aniversário


rolos de corda do reçoeiro

rolos de corda do reçoeiro

 

18 de julho de 2014

 
o alfredo faz anos. a história contada pelo próprio:

” faz hoje 26 anos, a minha mãe estava a trabalhar no mar e deu um bom lanço de lingueirão.

depois nasci eu. ainda me lembro”

é por se lembrar tão bem de tudo,  que todas as manhãs, quando a companha do marco vai ao mar, recebo por volta das 6h uma mensagem do alfredo:

“tamos no mar”

e aí vou eu.

a função do alfredo na companha, é o alar do reçoeiro, onde faz grupo com o fernando e o ti américo.

são muitos metros de corda, não são alfredo?

abraço

 

(torreira; companha do marco; 2014)

crónicas da xávega, torreira (18)


 

o maria de fátima vence o mar

o maria de fátima vence o mar

 

esta foto é para si marco

 
há telefonemas que dizem tudo.
na segunda-feira tinha de ir para coimbra, soube a hora para que o marco dera ordens, atrasei o almoço e fui à praia ver o largar – este.

depois de o barco vencer a pancada de mar, o meu telemóvel toca.

– esta foto é para si, sr. cravo

era o marco.

há amigos assim.

 

(torreira; companha do marco; jul, 2014)

crónicas da xávega, torreira (17)


 

caminhos de areia

caminhos de areia

porque amavam o mar

 

há poucos dias
30 de junho para ser preciso
o poeta joaquim namorado
faria cem anos se vivo
hoje passam dez anos
sobre a morte de sophia

os poetas
os grandes poetas
vão crescendo na memória

o pulsar a vida
em cada verso
o sentir de um povo
em cada poema
serem de carne e sangue
as palavras
o seu legado

estar aqui ainda
é serem eles em nós

a voz necessária

 

(torreira; companha do marco; jun, 2014)

regata da ria 2014 (3)


 

 

o "a. rendeiro" ultrapassa o "dos netos"

o “a. rendeiro” ultrapassa o “dos netos”

 

“NÃO MATEM OS MOLICEIROS”

 

já perto de s. jacinto, o moliceiro do ti zé rebeço, ultrapassa o do ti abílio carteirista.

desde o protesto de 2012, por não ter havido regata, que o ti abílio mantém a tarja “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”, no seu barco.

há mensagens que é preciso manter vivas e esta é muito forte, actual e necessária.

lembrem-se dela os que hoje se limitam a fotografar ou a descrever as regatas.

os moliceiros são homens e barcos, são seres vivos que precisam não só de olhos, mas de braços e mãos, de vozes e sentires, que se unam na sua defesa e preservação.

seja cada um de nós um moliceiro a dizer: assim não! queremos mais e melhor das entidades que mandam directamente nesta região, que são responsáveis pela cultura deste povo.

o ti abílio acabaria a regata em segundo lugar, aos 78 anos de idade, registem bem: aos 78 anos de idade.

será que não merece o nosso respeito esta geração que começou a vida “ao moliço”, na ria e que até ao fim da vida continua a fundir-se com o seu barco?

o ti abílio, fez a sua vida na alemanha, lá deixou a descendência, mas é na ria, a bordo de um moliceiro que se sente vivo.

até quando?

 

(ria de aveiro; 28, jun, 2014)

crónicas da xávega, torreira (16)


 

 

escolha do peixe

escolha do peixe

 
fossem de trabalho as mãos

 
entram e saem
compram vendem
vendem-nos
ganham muito sempre
astronómicas somas
pequeno o défice para tanto
para tão poucos

hoje eu
amanhã tu
sempre a famílias
os amigos
compadres
comparsas
comendo na mesa farta
revezam-se

fossem de trabalho os dias
seriam menos os que
de poleiro cantariam
de saber
que o que gastam e malbaratam
teriam de pagar

haja dinheiro basto
que advogados e padrinhos
não faltarão

a banca de novo

 
(torreira; companha do marco; jun, 2014)

regata da ria 2014 (2)


 

 

manuel augusto (necas lameirão)

manuel augusto (necas lameirão)

pinturas dos painéis

 

característica muito própria dos moliceiros, são as pinturas feitas nos painéis da ré e da proa.

como já escrevi antes um dos objectivos das regatas da ria é, não só, a manutenção dos moliceiros mas, fundamentalmente, a renovação das pinturas.

habitualmente quase todos os moliceiros, vêem as pinturas renovadas por altura das regatas.

para isso os prémios de presença, eram divididos em duas fatias:

– participação
– pintura

este ano, para além da desorganização, havia somente prémio de participação que, embora tenha tido um  valor praticamente igual ao valor global anteriormente atribuído, não premiava especificamente a pintura.

os painéis só eram valorados em termos de concurso final.

desorganização e estrutura do apoio levaram a que só dois moliceiros da classe A (mais de 13 metros) tenham sido pintados a tempo:

– A. Rendeiro
– Zé Rito

o moliceiro “Dos Netos” ficou com as pinturas por concluir

neste registo o pai do pintor Zé Oliveira, Manuel Augusto (Necas Lameirão) pinta um dos painéis da proa do moliceiro “Zé Rito”

 

(ria de aveiro; torreira; estaleiro do mestre Zé Rito)