
existem
não se sabem
andam
não caminham
continuam
perdidos
sem outra meta
que não hoje
são
o retrato
inventa palavras
sonhos
caminhos
nunca sonâmbulos
correm rios
vivos sob varandas
onde uma terra
chora
uma sereia em jerusalém
não há bermas
nas estradas por onde anda
canta lendas
de um povo
uma magia de aromas
quentes
onde denúncias
se pressentem
confessa-se doente
sofre de não saber
dizer não
é de causas
e causa engulhos quando
escreve
mas sobretudo ama
a mulher chama-se
matilde
são todos e são um só
mais não havia
que se houvera
mais haveria
a uma voz
respondem
não importa qual
todos a seguem
porque lhe reconhecem
a justeza do mando
ser pescador
é trabalhar em rede
há, porém, buracos ainda
a remendar
ou não fossem homens
que da perfeição
nada sabem
senão o trabalho
de a tentar
(ria de aveiro;torreira; marina dos pescadores)
a tristeza chega
súbito
é chuva no rosto
escorrendo
amarguras
ausências
pouco basta para
somos tão frágeis
tão uns dos outros
a tristeza chega em abril
mas floresce
em qualquer mês
onde
uma ausência
se fez sentir
crescemos
que se cresce sempre
com homens como tu
que são nós
mesmo depois de
não há palavras
tristes
há tristeza
nas palavras
onde existes ainda