pedem-me palavras
as mãos
é sempre de norte o vento
que leva o tempo
gasta corpos redes barcos
pedem-me palavras
as mãos
e eu com as minhas vazias
reinvento a memória dos dias
(xávega; reparar redes; torreira; 2007)
hoje não me apetece escrever
e há muita força neste não
obrigações não tenho
assunto não falta mas
hoje não me apetece escrever
já me vi ao espelho e não gostei
notícias do mundo tão tristes
assunto não falta mas
hoje não me apetece escrever
talvez quem sabe uma questão
de confiança de falta dela
ou da chuva não sei mas
definitivamente
hoje não me apetece escrever
(xávega; reparar redes; torreira; 2012)
entra dentro do silêncio
fecha a porta
o filme é de outro tempo
do cinema mudo
entra dentro de ti
ouve o silêncio