o teu silêncio
não é o dos inocentes
não
é o dos que não têm palavras
para se dizerem
não
não quero saber nada do que sei
esquecer tudo o que aprendi
ser eu apenas
eu e
estar aqui
ignorar se o tempo é eterno
se choverá ou fará sol ainda
para além de
que tudo se reduza ao momento
mesmo que não se perpetue
mas seja o instante
e o que for
quando tiver de ser
seja
não há barcos a navegar na ria
também eu tenho marés
hoje vi o tempo
sentado à mesa do café
anos sobre anos somados
e eu ali
quem sabe um dia
um outro tempo
por outros visto
parei de ler
impossível continuar
levantei-me
comigo o livro
as palavras sobre o papel
o prazer
caminhei pela beira ria
onde o tempo
de outro modo se lia
registei-o
quem sabe
num tempo outro
alguém