manuel pego


torreira; manuel pego; anos 90

aqui todos ajudam
a faina é dura
os amigos muitos

não há tempo para mudas
o mar chama urgente
o barco já largou
é preciso começar a lide
em terra

aqui todos somos um
os braços juntam-se no puxar das cordas
no empurrar dos barcos
aconchegar das redes

irmãos somos
da terra viemos
para aqui sermos todos um

torreira; manuel pego; anos 90

a madrasta dos moliceiros


torreira; 2008

torreira; 2008

o lameirense foi, talvez, o moliceiro mais fotografado da ria, quer pela sua beleza, quer pelo belíssimo ancoradouro privativo que lhe construíram.

um ano houve em que a filha de um emigrante nos eua, pintora, se ofereceu para pintar os painéis, ficaram uma maravilha.

pois bem este barco, com a minha sombra nele inscrita, acabou por apodrecer no final do ano passado.
os moliceiros estão acabar na ria e a câmara municipal da murtosa, que se reclama “pátria dos moliceiros”, assiste impávida e serena ao seu desaparecimento. talvez com o intuito de um dia lhes fazer um museu.

somos melhores a cuidar dos mortos do que a manter os vivos.

madrasta dos moliceiros serás, pátria….. deixa-me rir

torreira; 2008