abate do lá sam paio_ o vídeo


o olá sam paio a caminho do mar

 

a 3 de agosto de 2012, procedeu a polícia marítima de aveiro ao abate do barco de mar olá sam paio, propriedade dos herdeiros do falecido arrais zé murta.

pensa-se que o barco será colocado na rotunda das escolas da torreira que, finalmente, terá um barco numa das muitas possíveis localizações. já não era sem tempo.

o barco foi substituído por outro com o mesmo nome, embora mais comprido, conforme desejava o falecido arrais, e cujo bota abaixo foi no dia 4 de agosto – aniversário de maria murta, viúva do arrais zé murta

tal como o seu antecessor o novo barco foi feito em pardilhó nos estaleiros do mestre felisberto.

 

o vídeo do abate

abate do olá s. paio em 3 de agosto de 2012


casco roto, barco morto?

acabou-se o mar

o meu tempo de ser

 

naufragado que fui

repouso na areia

para onde antes sorria

lá de bem longe

no regresso de mais um lanço

 

não parto mais

arribei para sempre

não mais o “bota!”

a ressoar por sobre as ondas

 

não mais o voar

e cair no fundo na vaga

não mais o deslizar

sem saber de terra

sou agora

o ter sido

 

 

acabou-se o mar

que eu sou eu agora?

biblioteca particular fernando pessoa


Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis gratuitamente online desde ontem à tarde no site da Casa Fernando Pessoa.
Até agora, só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia consultar este acervo que é “riquíssimo”, mas com o site, bilingue (português e inglês, e disponível em ( http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt ) em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à Internet é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações – incluindo poemas – que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros.

museu do território da gândara


MUSEU DO TERRITÓRIO DA GÂNDARA

Aberto ao público um novo espaço museológico em Mira

Ver para Crer….

E Ver para Querer!

Em terras devotas ao patrono São Tomé, o novo espaço museológico que interpreta, valoriza e convida a conhecer o território da Gândara manifesta-se como uma surpreendente viagem pelo Tempo e pelo património natural e cultural da região. Quem o visita será surpreendido pelas maravilhas escondidas pelos recantos da região e sairá, sem dúvida, com a vontade de palmilhar o território e as paisagens com um novo olhar e um querer bem, redobrado, ao património colectivo.

Tendo sido inaugurado no passado dia 28 de Julho, pode agora ser visitado de terça feira a domingo, no horário das 14:00 às 17:00 horas, com entrada gratuita.

Com os objectivos de valorizar todo o património cultural e ambiental da Região da Gândara, como factor de identidade e atractividade do território e de criar um novo serviço museológico na rede de equipamentos culturais da região, este espaço pretende ser uma nova abordagem museológica a estas terras e ao seu vasto património, suportado por inovadores recursos tecnológicos e multimédia, que potenciam a capacidade interpretativa e comunicacional, destacando-se numa linguagem atractiva e cientificamente validada.

Localizado na Av. 25 de Abril numa antiga escola primária, divide-se por duas áreas expositivas cujas temáticas são: o Tempo e o Homem e o Homem, a Terra e o Mar. Na primeira, o visitante pode fazer uma viagem pela História da Terra e do Homem, tendo como elementos principais o conglomerado de Mira, a evolução do Território, bem como um conjunto de achados arqueológicos que demonstram a importância destas terras. Na segunda zona expositiva podemos ver alguns dos aspectos etnográficos culturais mais emblemáticos como as Artes da Pesca de Arrasto, os Caretos da Lagoa, a Arquitectura e os materiais tradicionais (Palheiros de Mira e Casa Gandaresa com o fabrico artesanal dos adobes) ou a enorme biodiversidade deste território.

Sendo iniciativa e responsabilidade da Câmara Municipal de Mira, a obra de recuperação do edifício foi apoiada através de uma candidatura QREN e o projecto de concepção museográfica também foi financiado através de uma candidatura ao programa LEADER.

Desde já convidamos todos a visitar este belíssimo Museu!

é delas o verão


 

apanha de ameijoa à cabrita baixa

 

como se formigas
mergulham os corpos
na ria
as ancas em movimentos
rítmicos arrastam as cabritas
carregam ameijoa

os joelhos
a coluna
os braços
os ombros
envelhecem
endurecem
os joelhos esmagadas cartilagens

as formigas
são gente
as cigarras
assistem em terra ao espectáculo
esfregando as mãos
na multiplicação
dos lucros

com o suor dos outros
ergueram o império
é delas o verão

(ria de aveiro, torreira)

é esta a gente


vitor caravela (falecido)_torreira, 2009

nasceram virados
ao mar
dele receberam
o primeiro embalo
a primeira prenda:
um peixe

todos os caminhos
são o mesmo caminho
é cega a arte que lhes dá
o pão
vai e não sabe se
cheia vazia grande miúdo

já poucos restam
já poucos sabem
já poucos resistem
partem para o alto
bacalhau palmeta pescada

chile terra nova áfrica

longes de onde se volta
para continuar

é esta a gente
que querem matar