crónicas da xávega (309)

crónicas da xávega (309)


devaneio
 
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nua de bruços
corpo aberto em flor
 
esperas um deus
fugido do olimpo
eternizado numa estátua
de mármore na grécia
que visitaste um dia
 
nua de bruços
corpo aberto em flor
 
beijo-te a nuca
afago-te o crâneo
demoram-se no pescoço
os lábios
iniciam o caminho
que pela coluna
os levará até onde
um breve sulco
 
recomeço pelos pés
e subo lentamente
sinto nas pernas
o eriçar de pelos ínfimos
 
chego enfim à nascente
de ti
saboreio-te devagar
 
súbito
o corpo domina-te
estremece acende-se
 
então viras-te
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(torreira; 2013)