Mês: Setembro 2025
crónicas da xávega (612)
a palavra escrita digo
devagar soletro
a emoção com os dedos
cego caminho pelas letras
repito-me repetes-me
eu sou as minhas palavras
pensava que o sabias
que me ouvias e era gravura
antiga em rocha dura
o que te dizia
sabes não há verdades
eternas nem mentiras que muito
durem o sol hoje é lá fora
não o será sempre
que outras estações virão
(xávega; aparelhar; torreira; 2013)
” nas ruínas à chuva …” de sérgio ninguém
“Regras” de júlia lello
“a palavra escrita …” de ahcravo gorim
os moliceiros têm vela (575)
hoje é dia de s. paio
os cisnes da ria poisam e voam
sobre a lisura das águas
livres de gabinetes e cálculos
de enganos elaborados
por mandantes e candidatos
é hora de vender gato por lebre
é tempo há muito tempo
de semear ilusões e colher pelouros
os moliceiros são o colorido da ria
onde negros corvos
fazem falsas promessas colhem votos
cargos futuros euros
os cisnes da ria livres e belos
nunca serão património nacional
sequer da humanidade nunca
os cisnes da ria são moliceiros inteiros
homens e barcos fundidos
na herança na tradição e no sonho
os cisnes da ria poisam e voam
sobre a lisura das águas
ignoram o cinismo são emblema
(regata de moliceiros; s. paio; torreira; 2017)

