Mês: Janeiro 2026
“Abandonei um par de sapatos…” de josé ricardo nunes
“quando há festa na aldeia …” de ahcravo gorim
os moliceiros têm vela (583)
quando há festa na aldeia
por vezes aparece um ser
andrajoso com folhas A quatro
que estende a quem passa
há dias lá estava de novo
cruzei-me com ele na rua
e como o meu amigo álvaro
tirei uma moeda do bolso
não das maiores e ofereci-lha
que não não queria dinheiro
estendeu-me uma folha
cheia de rostos e quadrados
indicou-me um deles e disse
quero uma cruz neste
tá bem tá disse-lhe eu
uma moeda ainda ia
agora quadrados e cruzes
só nas palavras cruzadas
ou no recato de uma cabine
por mera curiosidade perguntei-lhe
o que fazia e como se chamava
ao que me respondeu cabeça baixa
faço asneiras apelido esquerdatriste
(moliceiros; regata da ria; torreira; 2013)
“Explicação de conceito inútil” de raquel patriarca
“Palestina” de josé do carmo francisco
“Teatro dos cafés” de josé l santos
“auto-retrato 3” de paulo josé miranda
“o til” de ahcravo gorim
crónicas da xávega (621)
o til
o til é
um sinal gráfico
que serve para nasalar
duas vogais
só duas
como temos duas narinas
seja um para cada uma
o til é democrático
o til de que mais gosto
é o do o'neil
até porque não é só um
são variações em til
há uma palavra
homófona
de o til
que é útil
mas essa não tem til
tem acento agudo
para abrir o u
(xávega; o bordão; arribar da manga; torreira; 2016)

