
no relógio das marés a hora acerta todos os gestos é tempo de regressar
(torreira; regresso de cabritar; 2012)

a mancha estende-se cresce oleosa liberal laranja azul manto cego surdo cobre cobra cala a mancha sabe quer impõe segue até que se agite o mar a engula a onda a raiva o desespero a razão nós
(torreira; 2012)
um urso de peluche na bica da proa da bateira a coluna sofrida de tanto um sorriso e um abraço enormes pescará ainda enquanto o corpo que outra arte não sabe reparte o amor entre os seus e a ria por vezes queixa-se mas de dores reclama da balança do intermediário do roubo descarado do pão transformado em carros de luxo a democracia ainda não chegou à ria aqui a dita dura é ela que decide o quê quando e por quanto são estes os homens livres aos olhos de quem chega admira a beleza da paisagem regista-a e divulga mas é de lama que se trata aqui anda vem aprender a ria
(torreira; 2008)