não sou eu
nada é
porque tudo pode ser
é magia
nos rostos
o espanto
a interrogação
o palco é a rua
o destino
uma outra lua
parto
(coimbra; praça 8 de maio; encontros mágicos 2014)

visto-me de palavras de palavras ando que de palavras me fui fazendo sem saber se muitas se poucas apenas pelo prazer de para o dia a dia camisa garcia márquez calças eugénio de andrade sapatos sophia de mello breyner um bruto carro antónio lobo antunes para a praia polos marca vinicius calções de banho drummond chapéu faulkner toalha miguel angel asturias de inverno impermeável proust meias prévert e você manuel bandeira junto com zé gomes aquecem os meus dias óculos esses não dispenso para ler as marcas da roupa que visto então só mesmo se forem fernando pessoa
(coimbra; baixinha)
de terra em terra
de feira em feira
apregoam a qualidade dos seus produtos
a baixo preço
“é mais caro o crocodilo
que a t shirt”
mas é ele que vende
que os olhos dos outros
compram
uma marca nova
uma marca de marca
é uma marca que deixou de ser
mas os olhos vestem-se de marcas
que vêem
nesta sociedade de marca
que ninguém já quer comprar
tão má fama tem
vêem-na a ser vendida
pelos ciganos?
jamais
têm de ter confiança
no que vendem
(coimbra)
que não disse
o que disse
embora todo povo ouvisse
comeremos
pequenas e saborosas
as bananas
jamais seremos porém
as bananas que comemos
do estado conselheiro
seria exemplo a seguir
que a tão alto cargo se guindou
que não disse
disse
aí chegou
a república
quase das bananas
que não dos mesmos
haja decência
ouvimos
mas como
se já não há paciência
célebre a frase
nos ouvidos ecoa
obviamente demito-o
a isto chegámos
só nos faltava o buraco
no cérebro
que da ilha nos querem
vender