
quando se pode ser marginal em coimbra
esta não é a minha fotografia, mas com tanto água sinto-me como sou, marginal

ser marginal em coimbra depende do mondego

quando se pode ser marginal em coimbra
esta não é a minha fotografia, mas com tanto água sinto-me como sou, marginal

ser marginal em coimbra depende do mondego

o meu amigo do mar, para os meus amigos da terra
ontem em coimbra
tarde de sol aberto, temperatura amena, sábado, dezembro.
ontem em coimbra
o adelino castro e a carla, da lápis de memórias, abriram as portas a um amigo, para a apresentação de um livro de que não eram editores, deram o que tinham. num sábado à tarde, de sol aberto, em dezembro, com a temperatura amena
ontem em coimbra
o diamantino e a ção vieram de aveiro, o diamantino fez a apresentação do livro, com uma palestra caminhando pelos trilhos do livro e do autor. num sábado à tarde, em dezembro, pleno de sol e temperatura amena.
ontem em coimbra
a teresa namorado, veio da figueira, o manuel marques embora achacado, veio e despediu-se que em casa era preciso, a mariana alface, o fernando (com o beijo da lena também), o antónio vilhena, a isabel faria, a conceição ruivo; estiveram numa cave, com luz artificial, num dia pleno de sol, num sábado de dezembro, à tarde.
ontem em coimbra
foi bom saber que amigos tenho que trocaram o sol de dezembro, num sábado à tarde para estarem comigo na apresentação de “sou tudo o que aqui encontras”. foi bom encontrá-los porque eu também sou eles.
obrigado por serem

o meu amigo agostinho trabalhito, pescador da torreira e de portugal
perdi a conta às pedras
com elas um caminho
diverso do inicial
como tudo
entre rascunho e obra
no meio à frente em torno
pedras sempre
caminhos
impossível
escolher o escolho
imprevisto
antes da vida a água
antes da água a pedra
primordial
enorme em torno do sol
sequiosa solitária a ser
perdi as pedras nas contas
desmemoriado caminho
pedras haja
(coimbra, 2014)
depois, muito depois dos homens, ficam alguns livros, muitas estórias e, por vezes, os nomes e imagens de alguns autores. ser efémero é ser humano, permanecer para além dos dias habitados é deixar obra.
com “galveias”, josé luís peixoto corre o sério risco de continuar a habitar esta coisa chamada vida, muito tempo depois de ter abandonado a casa que o acolheu, que nos acolhe. quando um livro nos dá prazer e trabalho, é um LIVRO. galveias é. o josé luís permanecerá.
fica aqui o registo possível da apresentação em coimbra, no café sta cruz, no dia 17 de outubro, de 2014 e um parágrafo de “galveias”, que me marcou pela beleza, simplicidade e trabalho de sentir que o josé luís consegue escrever assim.
“ANTES, COSTUMAVA GOSTAR DE SETEMBRO. Na sua lembrança, era um mês afável, que tratava os dias com uma cortesia fina, ligeiramente arcaica. Começava mais quente, a tocar em , agosto, e acabava mais fresco, pronto a dar a vez a outubro, sem escândalo, com a natureza preparada, sempre em respeito e lisura.”
José Luís Peixoto, in “Galveias“
clip 1
clip 2
clip 3
clip 4

visto-me de palavras de palavras ando que de palavras me fui fazendo sem saber se muitas se poucas apenas pelo prazer de para o dia a dia camisa garcia márquez calças eugénio de andrade sapatos sophia de mello breyner um bruto carro antónio lobo antunes para a praia polos marca vinicius calções de banho drummond chapéu faulkner toalha miguel angel asturias de inverno impermeável proust meias prévert e você manuel bandeira junto com zé gomes aquecem os meus dias óculos esses não dispenso para ler as marcas da roupa que visto então só mesmo se forem fernando pessoa
(coimbra; baixinha)
de terra em terra
de feira em feira
apregoam a qualidade dos seus produtos
a baixo preço
“é mais caro o crocodilo
que a t shirt”
mas é ele que vende
que os olhos dos outros
compram
uma marca nova
uma marca de marca
é uma marca que deixou de ser
mas os olhos vestem-se de marcas
que vêem
nesta sociedade de marca
que ninguém já quer comprar
tão má fama tem
vêem-na a ser vendida
pelos ciganos?
jamais
têm de ter confiança
no que vendem
(coimbra)
que não disse
o que disse
embora todo povo ouvisse
comeremos
pequenas e saborosas
as bananas
jamais seremos porém
as bananas que comemos
do estado conselheiro
seria exemplo a seguir
que a tão alto cargo se guindou
que não disse
disse
aí chegou
a república
quase das bananas
que não dos mesmos
haja decência
ouvimos
mas como
se já não há paciência
célebre a frase
nos ouvidos ecoa
obviamente demito-o
a isto chegámos
só nos faltava o buraco
no cérebro
que da ilha nos querem
vender