
esquecidos tempos
serão estes
em que os homens têm
o tamanho
de não se saberem
fotografias
crónicas da xávega (48)
os moliceiros têm vela (56)
os moliceiros têm vela (55)
das palavras
gastar as palavras
como se coisas de uso
gastá-las de tanto
gastar-me com elas
ser palavra
sem palavras para
ser o espaço em branco
ou as reticências
seria o destino perfeito
ponto final parágrafo
(murtosa; regata do bico; 2007)
os moliceiros têm vela (54)
os moliceiros têm vela (53)
do silêncio

“NÃO MATEM OS MOLICEIROS”, no moliceiro “dos netos”, do ti abílio, usada no protesto contra o cancelamento da regata da ria, no mês de julho
escrevo silêncio
para que não o seja
mesmo que não ouças
não as leias
as palavras ouvem-se
há nãos a mais
nestas linhas poucas
onde nada
absolutamente nada
acontece para além
de silêncio escrito
não o sentes?
(murtosa; regata do bico; 2012)

















