alar com padas (III)


padas e léo (2010)

 

pai e filho (padas e léo) vão alando a rede, espreitando a ver se, ainda na água já se distingue algum choco ou linguado.

por vezes são apanhados com enxalavar quando se prepara para fugir mesmo na beira do barco.

em tempo de fartura de choco, ele é vendido ao comprador com quem têm contrato a 3€ o kg, quando começa a escassear às vezes lá chega perto dos 5€. O comprador ainda desconta no peso, dependendo da quantidade, até 1kg para a água que pode vir no latão.

quanto ao linguado, acreditem que é verdade, nunca ultrapassa os 5€ o kg, mas raramente lá chega.

para que saibam que quem ganha não é o pescador e quem sofre no preço de tanta intermediação é o consumidor, que pensa que os pescadores têm de viver bem.

façam as contas ao que pagam, no mercador, no supermercado e nestas referência que vos deixo.

(ria de aveiro- canal de ovar)

antónio tabalhito (barbeiro)


antónio trabalhito (barbeiro); 2005

 

chamava-se antónio trabalhito, mas era mais conhecido pelo antónio barbeiro. ia a casa de quem quisesse, fazia barbas e cortava cabelos.

homem de mar, andou pelo bacalhau e ajudou o marco a lançar-se com a sua companha.

era um bom amigo, o nosso tratamento era por tu. há anos tinha sido operado ao coração e ultimamente fazia uma vida recatada.

foi ontem a enterrar, mas ainda consigo ouvir a sua voz e vou ouvi-la durante muito tempo.

onde quer que estejas antónio, ensina-os a pescar.

abraço do teu sempre amigo

cravo

( torreira – companha do marco 2005)

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colher com o joão padas (I)


padas e léo brandão; 2010
os últimos são os primeiros.

e é verdade, a primeira vez que fui à ria fotografar a arte da solheira, foi com o joão padas.

neste registo é o filho léo que vai ao motor a conduzir a bateira, o que espanta para quem embarca pela primeira vez é o saber onde a bóia. mas os pescadores, todos os pescadores, para além de um sentido apurado de orientação têm sempre referenciais em terra que os ajudam a localizar a primeira bóia.

os próximos registos testemunham como a família participa no alar das redes.

(ria de aveiro _ canal de ovar)

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do safar ao alar


e vieram alguns linguados, poucos; 2010

entre o largar a rede, mal a maré começa a encher, e o alar do aparelho, não chega por vezes a uma hora.

é preciso que a maré não “corra” muito, arrastando limos e algas de encontro às malhas, tapando-as e impedindo o peixe emalhar.
assim esta pescaria, de surpresa com o trovão, foi coisa de pouco tempo. largámos, parámos a bateira por um bocado, e quando a água começou a correr muito, vá de alar.

ainda vieram uns linguados, não sei se meia dúzia, mas é o que ria estava a dar.

(ria de aveiro – canal de ovar – com o alberto trabalhito (trovão)

na praia de mira, década de 70


peixeiras da praia de mira

sentadas
aguardam a separação do peixe

descansam os pés
para caminhos longos
corridas e gritos
no cantar

“é peixe do maaaar !”

sentadas
rezam para que a pesca
dê para o pão

eram estas as peixeiras

eram elas que nos traziam
peixe do mar
sardinha fresca
gordura a pingar