“sou tudo o que aqui encontras”, notícias do lançamento


todos têm um nome, um rosto, um abraço. são amigos

todos têm um nome, um rosto, um abraço, chamam-se: amigos

o monte branco caffé estava cheio de amigos vindos de lisboa, de coimbra, do porto, de aveiro, da terra. amigos que do virtual entraram porta adentro do real e amigos são de facto. amigos de muitos anos e de muito sentir. estiveram ali os que puderam, os que quiseram e os que não podendo fizeram sentir que estavam.

foi uma noite cheia, que abriu com uma apresentação feita pelo meu amigo diamantino matos, que relembrou tempos idos da juventude comum na torreira e na murtosa, interligou, como só ele sabe, as palavras e as imagens do livro,  com todas as formas de expressão artística que tão bem conhece e domina. obrigado diamantino

obrigado a todos, que foram muitos, não só porque encheram a sala, mas porque me encheram a mim, e eu não sei de sala maior que aquela onde amigos como vocês chegam para partilhar comigo o prazer da leitura e da fotografia, de estarmos vivos juntos.

obrigado ao monte branco caffé, por tudo, por tudo.

abraço-vos a todos e somos muitos

(torreira; no dia a seguir)

a primeira edição está quase esgotada. foi uma aposta ganha.

os moliceiros têm vela (140)


felicidades

tempos felizes

tempos felizes

não percas tempo
com os fragmentos
jamais refarás
o que se quebrou

tu já não és tu
nada é o que já foi
nada será o que
podia ter sido

há um começo tardio
para um final próximo
é essa a estória do depois

é tarde muito tarde
longe vão as manhãs
só te resta esperar
e reaprender os dias

felicidades

a beleza é a ternura dos dias

a beleza é a ternura dos dias

(torreira; regata do s. paio; 2012)

os moliceiros têm vela (139)


os silêncios essenciais

encontros e desencontros

encontros e desencontros

do começo
só o que te contarem
o fim
nunca o poderás contar

no entanto
nascer e morrer
são os momentos
mais importantes da tua vida

nada mais és que o intervalo
entre dois silêncios essenciais

"a vida é arte do encontro e há tanto desencontro por aí" vinicius de moraes

“a vida é arte do encontro e há tanto desencontro por aí” vinicius de moraes

(torreira; regata do s. paio; 2014)

postais da ria (94)


quero-te barco

olhar é viver

olhar é viver

que vejas para além
da ilusão

que sejas não a gota
sequer a teia
mas um barco
onde navegar seja seguro
não por instantes
mas sempre

que te não iludas
com falsas pérolas de água
presas em malha fina
tecida por habilidosos
fabricantes de armadilhas

de teias se tecem vidinhas
videirinhas no amarinhar
dias acima gente abaixo

quero-te barco
mesmo se antevisto
onde navegar seja seguro

não fiques preso na teia, sabe porém vê-la

não fiques preso na teia, sabe porém vê-la

(torreira; 29/08/2015)

postais da ria (93)


é indizível o que sinto

entre a palavra e a imagem o sentir

entre a palavra e a imagem o sentir

falar de ti é ainda dizer-me
continuar a ser
pelas tuas mãos ainda por

deixar-te a memória do tempo
a beleza dos dias onde fui
é dar-me-te para me seres mais

é indizível o que sinto

tudo o que te possa dar é pouco, o pouco que conquistares é muito

tudo o que te possa dar é pouco, o pouco que conquistares é muito

(ria de aveiro; torreira)