o camarada mar
são homens do mar
conhecem-no
dão-lhe os bons dias
é um camarada de feitio
nem sempre fácil
de mãos nem sempre abertas
mas é um camarada
(torreira; companha do marco; 2010)
os silêncios essenciais
do começo
só o que te contarem
o fim
nunca o poderás contar
no entanto
nascer e morrer
são os momentos
mais importantes da tua vida
nada mais és que o intervalo
entre dois silêncios essenciais
(torreira; regata do s. paio; 2014)
quero-te barco
que vejas para além
da ilusão
que sejas não a gota
sequer a teia
mas um barco
onde navegar seja seguro
não por instantes
mas sempre
que te não iludas
com falsas pérolas de água
presas em malha fina
tecida por habilidosos
fabricantes de armadilhas
de teias se tecem vidinhas
videirinhas no amarinhar
dias acima gente abaixo
quero-te barco
mesmo se antevisto
onde navegar seja seguro
(torreira; 29/08/2015)
é indizível o que sinto
falar de ti é ainda dizer-me
continuar a ser
pelas tuas mãos ainda por
deixar-te a memória do tempo
a beleza dos dias onde fui
é dar-me-te para me seres mais
é indizível o que sinto
(ria de aveiro; torreira)