o tempo nos lábios
um copo de água
a sede saciada
o tempo nos lábios
bebeste-o
(torreira; regata do s. paio; 2015)
palavras assassinas
pacientes as mãos sempre elas
limpam das redes os caranguejos
ferem-se esmagam quebram
preparam sábias nova pescaria
assassinas as palavras
entraram pelas malhas dos dias
depositadas por mãos alheias
saberes de vícios urbanos
habilidosos hábitos aprendidos
confundiste-as com
as malhas dos teus dias
como pescarás agora?
(torreira; varadouro do estaleiro do zé rito; 2015)
o monte branco caffé estava cheio de amigos vindos de lisboa, de coimbra, do porto, de aveiro, da terra. amigos que do virtual entraram porta adentro do real e amigos são de facto. amigos de muitos anos e de muito sentir. estiveram ali os que puderam, os que quiseram e os que não podendo fizeram sentir que estavam.
foi uma noite cheia, que abriu com uma apresentação feita pelo meu amigo diamantino matos, que relembrou tempos idos da juventude comum na torreira e na murtosa, interligou, como só ele sabe, as palavras e as imagens do livro, com todas as formas de expressão artística que tão bem conhece e domina. obrigado diamantino
obrigado a todos, que foram muitos, não só porque encheram a sala, mas porque me encheram a mim, e eu não sei de sala maior que aquela onde amigos como vocês chegam para partilhar comigo o prazer da leitura e da fotografia, de estarmos vivos juntos.
obrigado ao monte branco caffé, por tudo, por tudo.
abraço-vos a todos e somos muitos
(torreira; no dia a seguir)
a primeira edição está quase esgotada. foi uma aposta ganha.
felicidades
não percas tempo
com os fragmentos
jamais refarás
o que se quebrou
tu já não és tu
nada é o que já foi
nada será o que
podia ter sido
há um começo tardio
para um final próximo
é essa a estória do depois
é tarde muito tarde
longe vão as manhãs
só te resta esperar
e reaprender os dias
felicidades
(torreira; regata do s. paio; 2012)
os silêncios essenciais
do começo
só o que te contarem
o fim
nunca o poderás contar
no entanto
nascer e morrer
são os momentos
mais importantes da tua vida
nada mais és que o intervalo
entre dois silêncios essenciais
(torreira; regata do s. paio; 2014)
quero-te barco
que vejas para além
da ilusão
que sejas não a gota
sequer a teia
mas um barco
onde navegar seja seguro
não por instantes
mas sempre
que te não iludas
com falsas pérolas de água
presas em malha fina
tecida por habilidosos
fabricantes de armadilhas
de teias se tecem vidinhas
videirinhas no amarinhar
dias acima gente abaixo
quero-te barco
mesmo se antevisto
onde navegar seja seguro
(torreira; 29/08/2015)