espero o tempo
em que
serei de novo
escureço-me
de tão pouco
sombreio-me
esqueço-me de
desapetecem-me
as palavras
o silêncio
é
estou em intervalo
de mim
são rosas
mãezinha
as nossas
ainda em botão
vermelhas
como tu gostas
como nós gostamos
sempre em botão
nós para ti
com alguns espinhos
que tu amorosamente
perdoas
são rosas
mãezinha
os teus filhos
os teus netos
as tuas bisnetas
são rosas mãezinha
não de estufa
como as rosas
que todos os anos
sempre que é data
em ramo florido
te ofereço
são tu
para além de ti
as tuas rosas
mãezinha
saudades do sul
das searas
e das mãos que trabalham
o barro
saudades do sul
e do roxo das uvas
brancas nos cachos
saudades do sul
e do pão
do sabor do chouriço
pendurado na fatia grande
do pão para todos
saudades do sul
em chegando ao barreiro…
que agora fica não atrás
mas à frente
porque
ao contrário da canção
agora o tejo vai ser atravessado
e o além-tejo mais próximo
saudades do sul
que acabam

existem
não se sabem
andam
não caminham
continuam
perdidos
sem outra meta
que não hoje
são
o retrato
inventa palavras
sonhos
caminhos
nunca sonâmbulos
correm rios
vivos sob varandas
onde uma terra
chora
uma sereia em jerusalém
não há bermas
nas estradas por onde anda
canta lendas
de um povo
uma magia de aromas
quentes
onde denúncias
se pressentem
confessa-se doente
sofre de não saber
dizer não
é de causas
e causa engulhos quando
escreve
mas sobretudo ama
a mulher chama-se
matilde