poesia
entende
outra vertigem
não basta
das janelas falo
inquietação
que é dos amantes
mais um dia de mar
lentos
corpos cansados caminham
em estranha procissão
que a areia acaricia
até ao estender do saco
a faina não termina
longo foi o dia
rude o mar
que homens são estes
coração de ave marinha
mãos de dar
mais que receber?
imensos
deixam na areia
a ternura
de mais um dia de mar
(torreira; companha do murta)
eu
uma gaivota
debica no horizonte
pedaços de céu
há mar ainda para além de
haverá sempre mar
mar nos meus olhos
cansados da areia dos dias
insónia diurna de não ser
quero-me a descer
a subir para a terra
aproximar-me mais de ti
que sou eu de outro modo
amar-te-me
a gaivota aproxima-se
poisada no vento
traz sal e sol nas asas:
eu









