entende


casco velho

 

escrevo-te

de muito longe de mim

pairo algures

 

espero

espero sempre

um sopro de luz

uma concha, um búzio

uma flor entre folhas de palavras

um sorriso

 

escrevo-te

só para não estar só

só para ter a ilusão

de que existes

 

espero

que entendas

quando não receberes

o que não te envio

eu


uma gaivota só
 
uma gaivota
debica no horizonte
pedaços de céu
há mar ainda para além de 
 
haverá sempre mar
mar nos meus olhos
cansados da areia dos dias
insónia diurna de não ser 
 
quero-me a descer
a subir para a terra
aproximar-me mais de ti
que sou eu de outro modo
amar-te-me 
 
a gaivota aproxima-se
poisada no vento
traz sal e sol nas asas:
eu