ria de aveiro
ria antiga
alar e colher com o padas (IV)
a paula a safar as redes; 2010
é a paula, mulher do padas, não pára de safar as redes de algas, caranguejos e mesmo dos chocos ou linguados que venham emalhados.
o maia difícil de safar são os caranguejos, que com as tenazes se agarram às redes e como tempo não é coisa que sobre só há uma maneira de os fazer largar a rede, torcendo-os e arrancando-lhes as patas.
aqui termina esta série sobre a solheira. outros registos, pois muitos tenham, aparecerão de tempos a tempos.
(ria de aveiro_canal de ovar)
alar com padas (III)
padas e léo (2010)
pai e filho (padas e léo) vão alando a rede, espreitando a ver se, ainda na água já se distingue algum choco ou linguado.
por vezes são apanhados com enxalavar quando se prepara para fugir mesmo na beira do barco.
em tempo de fartura de choco, ele é vendido ao comprador com quem têm contrato a 3€ o kg, quando começa a escassear às vezes lá chega perto dos 5€. O comprador ainda desconta no peso, dependendo da quantidade, até 1kg para a água que pode vir no latão.
quanto ao linguado, acreditem que é verdade, nunca ultrapassa os 5€ o kg, mas raramente lá chega.
para que saibam que quem ganha não é o pescador e quem sofre no preço de tanta intermediação é o consumidor, que pensa que os pescadores têm de viver bem.
façam as contas ao que pagam, no mercador, no supermercado e nestas referência que vos deixo.
(ria de aveiro- canal de ovar)
alar com o padas (II)
do safar ao alar
e vieram alguns linguados, poucos; 2010
entre o largar a rede, mal a maré começa a encher, e o alar do aparelho, não chega por vezes a uma hora.
é preciso que a maré não “corra” muito, arrastando limos e algas de encontro às malhas, tapando-as e impedindo o peixe emalhar.
assim esta pescaria, de surpresa com o trovão, foi coisa de pouco tempo. largámos, parámos a bateira por um bocado, e quando a água começou a correr muito, vá de alar.
ainda vieram uns linguados, não sei se meia dúzia, mas é o que ria estava a dar.
(ria de aveiro – canal de ovar – com o alberto trabalhito (trovão)
solheira_largar com o alterto trabalhito(trovão)
solheira_o largar (4)
tudo acontece quando menos se espera.
de passagem pela marina dos pescadores, vejo o trovão, fora de maré, a prepara-se para ir largar.
impossível resistir a mais uma, há sempre mais uma, saída para a ria, só que desta vez fomos 3.
o “mar não trabalhava” e, quando assim é, o trovão faz a solheira e o berbigão.
partimos
(torreira – ria de aveiro – canal de ovar)
solheira, o arrumar das redes
a dança das redes termina.
alada para a ré, safada para a proa, para a praia ou para o cais, regressa à ré para ser largada.
entre um momento e outro mais de 12 horas passaram, um dia de trabalho que, raramente compensa.
o joão, um bom amigo do silêncio, safou para o cais e agora dispõe as redes para nova largada.
(torreira, marina dos pescadores)
mulheres da torreira
também as mulheres safam as redes e não precisam de homem ao pé.
a carmo e a fátima (chinchão) safam as redes para a passadeira da marina.
depois virá o homem e arrumará as redes para as largar.
numa terra onde muitas das mulheres têm de carta de marinheiro, até os pescadores podem descansar.
há quem lhes chame “pescadeiras”, eu gosto mais de pescadoras.
mulheres há beira ria nadas, mulheres de mar, MULHERES
(torreira – marina dos pescadores)








