meia dúzia

é este o peixe que do mar
à tua mesa
encheu os bolsos em terra
a meia dúzia

(torreira; companha do marco; 2015)
meia dúzia

é este o peixe que do mar
à tua mesa
encheu os bolsos em terra
a meia dúzia

(torreira; companha do marco; 2015)
o nosso tempo

deixo-te estas imagens
semeadas de velas
guarda-as como coisa tua
este é o nosso tempo
dentro de todo o tempo

(torreira; regata da bateiras à vela; s. paio; 2010)
falo a língua do sal
não digo da pedra
que é água
do vento que areia
digo-te que o que é
não deixa de ser
só porque o nomeias
de forma diversa
lutei pelos dias claros
em todos os olhos
não semeies nuvens
onde sol poisou
falo a língua do sal
(torreira; companha do marco; 2012)
hoje é o dia
um dia
verás o que nunca viste
um dia
o inesperável acontecerá
então
dirás não o que sabes que é
mas o que gostarias que fosse
com isso tentarás confundir
o que queres com o que tens
então
quererás que a tua mentira
vença a evidência dos factos
seja a verdade que não existe
para continuares a ser o que já não
seres o que não és foi coisa
que te levou à ilusão de tentares ser
o que sendo nunca serias
hoje é o dia de ouvires
que já te ouvimos quanto baste
(torreira; regata das bateiras; s. paio; 2012)