crónicas da xávega (92)


o meu tempo é este

o chegar do saco

o chegar do saco

ficar destes dias a memória
onde rostos gestos sentires
os nomes os amigos
o ter sido aqui tanto

difuso o nevoeiro
começa a cobrir tudo
em breve quase nada
restará

o meu tempo é este

o chegar do saco

o chegar do saco

(torreira; companha do marco; 2013)

postais da ria (96)


palavras assassinas

levará 2 horas largar e a lar, poderá levar um dia a safar. é assim a solheira

levará 2 horas largar e a lar, poderá levar um dia a safar. é assim a solheira

pacientes as mãos sempre elas
limpam das redes os caranguejos
ferem-se esmagam quebram
preparam sábias nova pescaria

assassinas as palavras
entraram pelas malhas dos dias
depositadas por mãos alheias
saberes de vícios urbanos
habilidosos hábitos aprendidos

confundiste-as com
as malhas dos teus dias
como pescarás agora?

as garras ferem os dedos. o caranguejo infesta a ria

as garras ferem os dedos. o caranguejo infesta a ria

(torreira; varadouro do estaleiro do zé rito; 2015)

crónicas da xávega (91)


a estreia do ricardo silva

o arrais marco silva, o agostinho, o ricardo e o horácio

o arrais marco silva, o agostinho, o ricardo e o horácio

ontem fui pela última vez ao mar este ano. o mar estava manso por isso fui, nada de armar em campeão, nem de pôr em causa a atenção que o arrais tem de ter ao fazer do lanço. vou mas não existo como preocupação.

se para mim foi a última ida do ano, para o ricardo foi a primeira vez que o pai o deixou “ir ao motor” num lanço de xávega. a responsabilidade é grande, o sentir o motor nas mãos e o barco a seu mando, só quem alguma vez andou, pelo menos, dentro de um barco de mar pode sentir o que representa.

o mar estava manso, repito, o coração do ricardo pequenino, os olhos atentos ao mar, sempre a mirar o longe, enquanto o pai, o horácio e o agostinho lhe iam dizendo como fazer.

foi bom ver como todos se uniram em volta do ricardo, para que tudo corresse bem. e correu. foi um lanço de peixe e de fazer um puto sentir-se ainda mais homem….. e de um homem sorrir como um puto.

abraço ricardo, foi bom estar com todos no barco onde tu, pela primeira vez, te sentiste arrais.

quem sabe, para o ano eu volto

ao vivo e a cores

ao vivo e a cores

(torreira; companha do marco; 2015)

os moliceiros tem vela (141)


regata s. paio, 2015

em primeiro plano o moliceiro zé rito

em primeiro plano o moliceiro zé rito

vencedor: moliceiro zé rito
tripulação: zé rito; manuel rito; alfredo miranda

2º classificado: moliceiro a. rendeiro

tripulação : zé rebeço e manuel antão

3º lugar: moliceiro marco silva

tripulação: marco silva; sérgio silva e miguel silva

uma regata com pouco vento mas muita competição. a minha go pro estava montada neste moliceiro, por isso em breve teremos o vídeo da regata. haja tempo

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(torreira; regata do s. paio; 2015)

os moliceiros têm vela (140)


felicidades

tempos felizes

tempos felizes

não percas tempo
com os fragmentos
jamais refarás
o que se quebrou

tu já não és tu
nada é o que já foi
nada será o que
podia ter sido

há um começo tardio
para um final próximo
é essa a estória do depois

é tarde muito tarde
longe vão as manhãs
só te resta esperar
e reaprender os dias

felicidades

a beleza é a ternura dos dias

a beleza é a ternura dos dias

(torreira; regata do s. paio; 2012)

os moliceiros têm vela (139)


os silêncios essenciais

encontros e desencontros

encontros e desencontros

do começo
só o que te contarem
o fim
nunca o poderás contar

no entanto
nascer e morrer
são os momentos
mais importantes da tua vida

nada mais és que o intervalo
entre dois silêncios essenciais

"a vida é arte do encontro e há tanto desencontro por aí" vinicius de moraes

“a vida é arte do encontro e há tanto desencontro por aí” vinicius de moraes

(torreira; regata do s. paio; 2014)