o tempo nos lábios
um copo de água
a sede saciada
o tempo nos lábios
bebeste-o
(torreira; regata do s. paio; 2015)
palavras assassinas
pacientes as mãos sempre elas
limpam das redes os caranguejos
ferem-se esmagam quebram
preparam sábias nova pescaria
assassinas as palavras
entraram pelas malhas dos dias
depositadas por mãos alheias
saberes de vícios urbanos
habilidosos hábitos aprendidos
confundiste-as com
as malhas dos teus dias
como pescarás agora?
(torreira; varadouro do estaleiro do zé rito; 2015)
a estreia do ricardo silva
ontem fui pela última vez ao mar este ano. o mar estava manso por isso fui, nada de armar em campeão, nem de pôr em causa a atenção que o arrais tem de ter ao fazer do lanço. vou mas não existo como preocupação.
se para mim foi a última ida do ano, para o ricardo foi a primeira vez que o pai o deixou “ir ao motor” num lanço de xávega. a responsabilidade é grande, o sentir o motor nas mãos e o barco a seu mando, só quem alguma vez andou, pelo menos, dentro de um barco de mar pode sentir o que representa.
o mar estava manso, repito, o coração do ricardo pequenino, os olhos atentos ao mar, sempre a mirar o longe, enquanto o pai, o horácio e o agostinho lhe iam dizendo como fazer.
foi bom ver como todos se uniram em volta do ricardo, para que tudo corresse bem. e correu. foi um lanço de peixe e de fazer um puto sentir-se ainda mais homem….. e de um homem sorrir como um puto.
abraço ricardo, foi bom estar com todos no barco onde tu, pela primeira vez, te sentiste arrais.
quem sabe, para o ano eu volto
(torreira; companha do marco; 2015)
regata s. paio, 2015
vencedor: moliceiro zé rito
tripulação: zé rito; manuel rito; alfredo miranda
2º classificado: moliceiro a. rendeiro
tripulação : zé rebeço e manuel antão
3º lugar: moliceiro marco silva
tripulação: marco silva; sérgio silva e miguel silva
uma regata com pouco vento mas muita competição. a minha go pro estava montada neste moliceiro, por isso em breve teremos o vídeo da regata. haja tempo
(torreira; regata do s. paio; 2015)
felicidades
não percas tempo
com os fragmentos
jamais refarás
o que se quebrou
tu já não és tu
nada é o que já foi
nada será o que
podia ter sido
há um começo tardio
para um final próximo
é essa a estória do depois
é tarde muito tarde
longe vão as manhãs
só te resta esperar
e reaprender os dias
felicidades
(torreira; regata do s. paio; 2012)
os silêncios essenciais
do começo
só o que te contarem
o fim
nunca o poderás contar
no entanto
nascer e morrer
são os momentos
mais importantes da tua vida
nada mais és que o intervalo
entre dois silêncios essenciais
(torreira; regata do s. paio; 2014)