xávega_entre os bois e os tractores


força humana
 
este registo é a memória de um tempo de transição, na xávega da torreira, em que as juntas de bois já não eram utilizadas e os tractores ainda não tinham sido introduzidos.
 
foi um tempo curto, mas em que se trabalhou à moda do início da arte, todo o esforço era humano, à excepção do motor que já se encontrava instalado no barco.
 
(torreira; século XX)
 

quem trabalha ganha pouco


saco da rede de xávega

 

quando o mar é fêmea
enche-se o saco
de carapau

enchem-se os homens
de esperança
quantas vezes a morrer
breve na lota
onde os compradores
entre cafés e cigarros
aguardam o fruto do suor
para o beberem em copos de bom vinho

também no mar
há quem trabalhe e ganhe pouco
sendo de poucos
a riqueza que o mar dá

um saco em leque
com que se abanam os revendedores
isso é

(praia de mira; companha do fatoco)

barco de mar_ganhar o mar


barco de mar olá sam paio (2007)

 

foi tempo em que os bois.  agora são os tractores que trazem e levam o barco pela areia fora.

quando o barco está muito longe do local ideal para sair e os tractores não são suficientemente fortes, são necessários dois para o arrastarem pela areia, como mostra este registo.

no tempo dos bois o barco era sempre arrastado sobre roletes – cilindros de madeira – o que tornava mais fácil o deslizar e menos pesado  trabalho das juntas. hoje em dia, os roletes continuam a existir mas são frequentemente utilizados somente para poisar o barco, quando o são.

o arrastar directo do fundo do barco sobre a areia, provoca um desgaste mais rápido deste e a necessidade de o substituir com mais frequência.

nem tudo são vantagens, cada processo tem sempre duas faces.

 

(torreira, 2007)

 

 

torreira_companha do murta 2007


o falecido arrais zé murta na bica da ré

uma das características da companha do falecido arrais zé murta, é a sua natureza: a maioria do pessoal tem laços próximos com a família  murta (filhos, irmãos, primos…)
 
neste registo, o arrais amarra a muleta à bica da ré, enquanto parte da companha a ampara. mais tradicional não há

a decoração dos barcos de mar


bica da proa do barco de mar olá sam paio

 
a decoração dos painéis laterais dos barcos de mar da xávega, apresenta duas tipologias essenciais:
 
– no norte e centro, a decoração é sempre de carácter religioso/cristão
 
– no sul (já a partir da nazaré isso pode ser observado nos barcos mais pequenos) é o “olho fenício”, símbolo da sorte, que predomina
 

o olho fenício no painel da proa, num barco típico da nazaré (neta)

 

 

xávega_os ganchos no arribar (II)


mais rápido

 aqui temos um exemplo em que se podem ver os ganchos já presos, mas com as cordas pendentes, a tracção ainda não foi iniciada e a demora fez com que o barco fosse colhido à ré, pela onda seguinte.

vê-se assim a importância da rapidez de execução deste procedimento, sob pena de poderem acontecer situações como esta, mais graves se a onda for maior ou ainda, em casos extremos, o barco dar de bordo.