nu
entrego-te tudo
para que faças o que não fiz
digas o que não escrevi
sejas o que nunca consegui
entrego-te tudo e fico assim
sentado à beira nada
esperando o que à praia der
nu
(torreira; companha do marco; 2012)
de nós
houve os que partiram
e a quem chamaram heróis
nem todos regressaram
outros houve que ficaram
não por não serem heróis
mas por amor à terra
de uns e de outros vimos
que dois povos diferentes são
diversos no estar e no ser
uns serão do aceitar
outros do questionar
(torreira; companha do marco; 2013)
crescer para o mar
ajoelha-se o homem para o trabalho
minucioso do tecer das malhas
arte secular aprendida no areal
onde por vezes o pão chega prateado
espalhando sorrisos e esperança
que nem sempre a lota contempla
ajoelha-se o homem e pede ao senhor
pão que baste para tão sofrido suor
erguer-se-á o homem e crescerá
para o mar
(torreira; companha do marco; 2013)