matilde


 

inventa palavras

sonhos

caminhos

nunca sonâmbulos

correm rios

vivos sob varandas

onde uma terra

chora

uma sereia em jerusalém

 

não há bermas

nas estradas por onde anda

canta lendas

de um povo

uma magia de aromas

quentes

onde denúncias

se pressentem

 

confessa-se doente

sofre de não saber

dizer não

 

é de causas

e causa engulhos quando

 

escreve

mas sobretudo ama

 

a mulher chama-se

matilde

solidariedade na ria de aveiro


 

são todos e são um só

 

mais não havia

que se houvera

mais haveria

a uma voz

respondem

não importa qual

todos a seguem

porque lhe  reconhecem

a justeza do mando

 

ser pescador

é trabalhar em rede

há, porém, buracos ainda

a remendar

ou não fossem homens

que da perfeição

nada sabem

senão o trabalho

de a tentar

 

(ria de aveiro;torreira; marina dos pescadores)