voa


 

voa

 

 

o céu não

é onde dizem

é onde

quiseres que seja

 

estende os braços

não há vazios

em torno de ti

apenas outros braços

ignorando também

que podem voar

 

é tempo de roda

e saltar à corda

escorregas e malha

e gargalhadas soltas

 

voa

 

(skim board; buarcos)

a minha ria


estranha beleza esta

erguida sobre

moribundos fundos

poluídos

contaminados

pela ganância do lucro

 

cantem a ria

cantem-na sim

depois de a terem silenciosamente

assassinado

cúmplices

no terem estado aqui sempre

 

vendam os postais

falem das belezas que queiram

exibam-se nas fotografias

nas ruas e nos largos

mas é de lodo

lama e podridão que falo

 

digo:

esta já não é a ria

que me viu crescer

 

esta é a ria onde ainda

há homens que colhem o pão

amargo e amargos

de se saberem tão pouco

nos actos de quem

tanto deles a barriga enche

 

esta é a ria

que me deixaram

mas que não deixo

 

(torreira; marina dos pescadores; maré cheia)

o mar ignora-nos


 

quão pequenos somos

para menos ainda

nos fazermos

 

desconheço

outros caminhos

que não os por mim

abertos

 

aprendi

a dizer não

se para mim sim

 

sendo sempre

eu

nada mais que isso

eu

e tantos em mim

 

pescadores

digo

dos meus

orgulho de ser

deles

um

 

quão pequenos somos …

imenso o mar

ignora-nos

 

(torreira; companha do marco, 2010)

 

inventam-se


inventam sem pressas

os dias por onde

o sol

se bebe

 

alimentam-se

de memórias e espanto

são a espera

depois de terem sido

o assobiar às ovelhas

as hortas por regar

as batatas o centeio

o queijo

 

dão-lhes cadeiras

com vista para o futuro

e ele é o sol

 

sorriem ainda

ao verem-se na serra

onde já não

 

inventam-se

 

(covilhã)

alegria de ser


 

chegaste onde

a alegria de

quantos sorrisos são?

 

conseguiste

eu sei

isso basta

é tanto

é mais do imaginavas

 

sorris muito

sorris como nunca

sorris por dentro

do sorriso

aí és mais tu

és

 

o segredo do como

o suor e o sangue

as lágrimas

o domar do corpo

tudo isso agora

nada é já

 

sorris

és a alegria de ser

 

(figueira da foz; cae; jardins de inverno 2012)

feira medieval de buarcos_páscoa 2012_os rostos


isabel baptista

olha as pedras

as runas nelas

inscritas

manuseia-as

 

há algo de estranho

no seu olhar

 

as pedras

colhi-as no meu rio

 

celtas os caracteres

rituais

escritos a sangue

são agora memória

e símbolo

 

de olhos fechados

apanhei uma pedra do cesto

com a runa do dia

o significado, perguntei

 

encontro e amor

 

de tudo isso se tinha feito

o meu dia

sorte?

coincidência?

 

que importa

a runa falou

e disse a verdade

A ligação do projecto dos Avieiros às Escolas e às comunidades educativas


 

Está em curso a fase de implementação do projecto dos Avieiros junto das comunidades escolares, de acordo com a estratégia definida. A acção que hoje apresentamos decorreu na Escola D. Dinis, nos Olivais – em Lisboa.

Num auditório com mais de 120 alunos/as e respectivos/as professores/as levou-se a cabo uma acção de promoção da cultura Avieira, do seu conhecimento, da sua compreensão e da sua valorização, através da educação não-formal.

A sessão constou de uma exposição fotográfica sobre os Avieiros, de uma exposição em diapositivos do ideário do Projecto Nacional da Cultura Avieira apresentada pela Dra. Lurdes Véstia, e do filme “ A Aldeia Avieira da Barreira da Bica”, disponível em http://www.youtube.com/watch?v=uhdYOCPb1qg., da responsabilidade do Sr. José Gaspar.

Após a sessão abriu-se o debate aos jovens que colocaram as perguntas que lhes interessava ver respondidas.

Por fim foi lançado o desafio para que as 5 turmas envolvidas fizessem um trabalho de grupo sobre a temática apresentada para serem posteriormente divulgados não só pela comunidade educativa, como através de uma Folha Informativa do Projecto Nacional da Cultura Avieira.

Dessa acção que está em pleno desenvolvimento vos damos conta na presente Folha Informativa.

 

O gabinete de coordenação

(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)