iluminar o sonho


o mondego livre em formoselha

apetece-me nascer rio

abrir leitos rasgar margens

destruir a

desilusão deste ser aqui

ainda assim

 

apetece-me nascer rio

levar na corrente pedras rochas calhaus

desnudar raízes

arrancar árvores velhas podres de poderes

asmáticos

 

apetece-me nascer rio

limpar terras de vermes cobertas

rastejantes seres erectos

escamosas barrigudas mentes

pesporrenta gente

sabuja

 

hoje

apetece-me nascer rio

há dias em que só a água

ilumina o sonho

O Tejo e a Poesia – PERCURSO CAMONIANO


transcrição da newsletter

Com este texto se encerra o conjunto de Folhas dedicadas às II Jornadas Europeias do Património.

Segundo os autores “Constância, sem dúvida que aposta na divulgação do seu nome, na preservação e valorização do seu património histórico e cultural; mas não esquece a riqueza paisagística, nem a promoção do meio envolvente, apostando em atividades lúdicas, recreativas e culturais, onde o ambiente natural é cenário privilegiado. Um concelho que, preocupado com a “fragilidade” do passado, desenvolve procedimentos com vista à sua preservação no presente para existência futura.

Em Constância, a cultura e o lazer caminham de mãos dadas. É possível a visita a uma exposição de pintura depois de um passeio pedestre nos campos, ou uma descida de canoa; tal como é possível percorrer as ruas acompanhando uma peça de teatro que se desenrola em diferentes cenários da vila”.

Com este conjunto de relatos evidenciámos alguns detalhes importantes que permitem caracterizar melhor o espírito das gentes taganas e a enorme riqueza patrimonial, cultural e turística desta tão surpreendente região.

 O gabinete de coordenação

(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património imaterial nacional e da UNESCO)

 


Cultura Avieira – Um património, uma identidade
 
 

quando o mar trabalha na torreira_fina murta


delfina (fina) murta

 

será carapau….

o mar dá
o que as traineiras deixam
o arrasto não estraga

trabalhar aqui
é ser mais um braço
laço
que une terra e mar
fome e desejo

será sardinha ….

dias passam
barcos partem e regressam
sempre com a esperança
poisada na proa

vivemos de promessas de mar
cantos de sereia
em dias que urge
a pesca ser boa

(torreira, século XX)

 

O Tejo e a poesia – ECOCONSTÂNCIA


o tejo e a poesia

(transcrição da newsletter)

Publicamos hoje uma Folha Informativa dedicada a um passeio no Tejo, na zona de Constância, a Vila Poema.

Trata-se da continuação das anteriores Folhas dedicadas às II Jornadas Europeias do Património e que os nossos colaboradores Ana Paula Pinto e Carlos Vitorino aproveitaram para nos dar conta, a partir de imagens e de textos que reflectem a sua sensibilidade para a importância cultural e turística dos eventos aí ocorridos.

A próxima Folha Informativa será dedicada ao Percurso Camoniano e fechará o ciclo destas II Jornadas Europeias.

 O gabinete de coordenação

(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património imaterial nacional e da UNESCO)


Cultura Avieira – Um património, uma identidade

 

FOLHA Nº36_O Tejo e a Poesia – ECOCONSTÂNCIA[1]

 

recordo


reflectindo

 

sentado no banco
da memória
recordo

o brilho nos olhos
as caravelas velas pandas
das navegações sem retorno imaginado
o aroma das anémonas
sem terra à vista

a música a desprender-se
das coisas
sem pauta nem maestro nem instrumentos
a música de dentro
em clave de sol e sonho

braços por dentro de braços
e mais braços ainda
abraços tantos a abraçar

recordo

(ria de aveiro; canal de ovar; torreira; marina dos pescadores)