no tempo que passou
há quanto tempo
o tempo parou?
o beijo
primícia carícia
guarda ainda o teu sabor
o teu nome cravado
nos lábios sangra
iniciaste um tempo
que contigo acabou
há quanto tempo
o tempo parou?
esperamos o peixe
canastra à cabeça
prontas partir
passo miúdo correr quilómetros
levaremos à terra
o pão do mar
os nosso gritos cantados
chamarão as gentes
abrirão portas janelas
acenderão fogareiros
por todo o lado
a mesma pergunta :
“ o mar trabalhou hoje ?”
trabalhou freguesa
é peixe do mar
e a corrida continua
até a canastra esgotar
quanto vale um americano?
20 chilenos?
100 árabes?
1000 africanos?
quantos vidas
vale um dólar?
“in god we trust”
pobre deus se existes
para onde te levaram
nada mais que uma moeda
de troca por sangue
com cheiro a fruta, a petróleo
há palavras
que são perigosas
a verdade quando escrita
ainda é mais perigosa
há palavras
que são a carne de um sonho
o esqueleto de uma utopia
a coluna vertebral de uma sociedade
escrevem-nas diariamente com sangue
os povos deste mundo
nas paredes da terra
para que, se outros mundos houver,
se saiba do que aqui se passa
porque compramos
o que os media
nos vendem
porque há quem só
compre o que os media
vendem
porque ainda há memória
não são só as torres gémeas
que hoje deveriam ser lembradas
mas também, e mais do que elas,
o golpe levado a cabo neste dia
por augusto pinochet
ao colo da cia
e da escola neo liberal de chicago
os “chicago boys”
porque a história
não pode ser reescrita em inglês
sempre
porque o sangue é o mesmo em todos
os seres humanos
porque hoje esquecem-se muitos
para lembrar uns poucos
eu quero aqui lembrar todos
os que morreram assassinados
torturados sinistramente
pelas mãos mais “limpas” deste mundo
pela verdade na história
pela história da verdade
(torreira; 2010)
responde pelo nome de necas, é o cão do alberto trabalhito (trovão).
cão de pesca, cão de pescador, acompanha o dono em todas as suas saídas para ganhar na ria o pão, nem sempre o melhor.
é um animal compenetrado nas suas funções e segue com atenção, quase como se fiscalizando e controlando, todas as acções dos donos.
neste registo íamos largar redes solheiras.