as rosas do orelhas


 
o amor dos pescadores da torreira às suas bateiras vai ao ponto de as decorar com os adereços mais belos, sejam eles religiosos (nas pinturas decorativas), seja nas cores com que as pintam, seja ainda no ponto mais alto e emblemático da bateira: a bica da proa.

 

o henrique “orelhas” – terá apelido de família certamente, mas é pela alcunha que toda a gente o conhece – prepara o ramo de rosas que irá colocar aos pés da senhora de fátima que encima a bica.

é esta a gente que nos faz sentir gente também e lastimar aqueles que “lá do seu império” os não acarinham e compreendem.

fica neste registo a minha singela homenagem a todos os pescadores da torreira que me recebem no seu meio como amigo e “da casa”.

(ria de aveiro; torreira; marina dos pescadores)

(torreira; marina dos pescadores; 2010)

s. paio 2010 _ regata bateiras_10


“a canalha”
a “canalha”, como na terra se chama aos mais novos, também ajuda e vibra na preparação.

pelo s. paio, na torreira, realizam-se as únicas regatas de bateiras à vela da ria de aveiro, este ano vão decorrer no dia 3 de setembro, sábado, pelas 16h, dependendo da maré.

(ria de aveiro; canal de ovar; torreira)

quando o mar trabalha na torreira_era o tempo dos bois


joaquim salazar

com um cigarro
e os bois
reparto
o descanso breve
entre dois lanços

o mar não espera
o tempo não pára

começará o lento puxar das redes
“eh boi !, eh boi !”
seremos uma junta de três
músculos retesados
suor e baba
o mesmo esforço

depois a corrida final
chegar do saco onde o peixe
cegos correremos que tudo se pode
perder

com um cigarro
e os bois mansos
reparto
o descanso breve
entre dois lanços

(torreira)