ahcravo gorim
“no outono” de antónio canteiro
“o olhar tende para o lado oposto ao do defeito.” de maria josé quintela
dois poemas de “NO CERCO DA PANDEMIA”
de sara f costa e teresa alvarez
“levo a poesia … ” de sofia ferrés
“ESCREVER DEPOIS DE UM DIA DE TRABALHO ÁRDUO” de luís filipe parrado
“SAL DO MUNDO: CARTA PARA OS MEUS FILHOS” de ivo machado
“Resta-nos o relógio …” de leonora rosado
a beleza do sal (129)
no sal a memória do sol e do mar

estalam-me na cabeça os tufões medonhos do atlântico sul rebentam-me nos olhos as calemas de março o simoun enche-me a boca de areia e raiva lambem-me o sexo as chamas que no verão devoram pinhais e searas tremem-me as mãos sinto nos dedos os abalos de agadir mergulham ante meus olhos horrorizados todos os passageiros do titanic o amazonas corre-me nas veias ribombam-me no coração as cataratas do niagara os ouvidos rebentam-me com a pressão dos grandes rios a entrarem no mar o corpo arde na fogueira possesso de um demónio inventado pela inquisição todo eu tremo ante tanto desvario e tudo se conjuga no rodopiar do carrossel louco desta cabeça que não sei se é minha mas que pesa como se fosse o mundo


