ahcravo gorim
“Ar” de susana do amaral dias
“Cadência imperfeita…” de rita tormenta
“A dona de casa” de graça pires
fala dos retratos (153)
“Era do solilóquio” de regina guimarães
“Deus …” de rui nunes
ria radical (3)
“PASSEIO PELOS CAMPOS DA FEALDADE” de elisa scarpa
os moliceiros têm vela (566)
os moliceiros têm vela (566)
a minha língua é filha e mãe
pare e acolhe é colo e berço
a minha língua é viva
a minha língua tem as portas
abertas às palavras
às gentes às geografias
a minha língua é antiga e jovem
é muitas linguas é rio
rico de afluentes desagua em delta
a minha língua é livre
se acordos quiseram acorrentá-la
oiçam-na migrante na sua terra
a minha língua é pacífica
mais que isso humilde
resigna-se a que dela mal digam
e o façam usando-a
a minha língua já foi e há-de ser
mais que os que a usam
permanecerá no tempo
sorrindo ao mundo portuguêsmente
a minha língua não tem dono
e só é minha porque a uso
não porque me pertença
e tua será se a usares
não mordas a tua língua
o sangue pode sufocar-te
(moliceiro; regata da ria; torreira; 2014)


