augusto água a lua


augusto água a lua

                                                    augusto água a lua
 

sei do meu fim

mas tu
crescerás
quando eu já não for

serás a minha memória
encher-te-ás de mim

quando te contemplarem
(na ânsia de infinito
que habita os homens)
sem o saberem
estarei lá

no ribombar das vagas
a minha voz a ecoar no tempo

(foto e poema do meu livro “quando o mar trabalha“)

quando o mar trabalha_incerto fruto


é este o fruto
que o mar dá

prateadas cores
rebrilhantes ao sol
falam de mar

aguardam o transporte
as caixas

atento o arrais
calcula o lanço

deu
não deu
volto hoje
espero outra maré

é este o fruto
incerto 
que do mar tiro

 (sabes das mãos e dos frutos? lembras-te do eugénio?)

cândida


cândida
ao longe a esperança começa
a nascer
o barco lançou o saco
inicia o regresso

trará a rede peixe ?

do mar o incerto pão
nem sempre mata a fome
paga o esforço o suor as gargantas secas
de tanto gritar

não somos dos que desistem
enquanto houver sol e o mar permita
o barco partirá
sempre
em busca do peixe
do pão que o mar dá

(torreira; séc XX)