de milfontes


onde o branco é mais branco

aqui há uma luminosidade mais viva

é como se a luz viesse de dentro das coisas

e poisasse suavemente nos dedos

numa carícia de algar e anémonas

 

aqui as palavras crescem pelo corpo

depois de nascerem junto à terra

 

aqui eu sei de um recanto perto do sol

onde ainda é possível sonhar

e as manhãs

as infinitas e angustiantes manhãs urbanas

têm cheiro a pão alvo e trigo maduro

 

aqui as palavras correm como o mira

que diz a canção vai cheio

e tu

tu aqui

estás ainda da outra banda