barco que arriba
barco que partirá
saco seco
saco na zorra
ao barco as redes
tornarão
aparelhado o barco
pronto ficará
o quando
será obra do arrais
autorização do mar
haver peixe
todo o tempo
é tempo de
(companha do marco, torreira, 2009)
sobre
o amargo deste
ser aqui agora
falarei mais tarde
deixa que agora
a música fale
jazzmente
venho de longe
cantaste
hoje te digo
voa
vai para ainda
mais longe
aqui custa
respirar
aprender
com o silêncio
a ser mais amigo
do mar
abrigo breve
construir
sobre a areia
adormecer
estar aqui
não ser ninguém
paisagem de
pássaros
abrem sobre a noite
cânticos marítimos
ondeias
flutuações
espero
sempre
um raio de luz
na noite mais negra
mais fria
aqui jazz aceso
de oiro as palavras
te levaram
hoje negras
desditas
escreve sobre a água
a limpidez das ideias
lava-as
a lama cobre o fundo
da ria
assim também
vais descobrindo
o para além das palavras
que te disseram
poisada nas águas mansas
da ria
uma bateira acorda
e tu?
(ria de aveiro; torreira; marina dos pescadores)
todas as falas
são fala de vida
grito imenso
pintando de sons
o silêncio dos dias
A Folha Informativa Nº 36-2012 resulta da transcrição da parte introdutória do livro Palafita – da Arquitectura Vernácula à Contemporânea, dos autores Alejandro Bahamon e Ana Maria Álvarez, publicado pela Editora Argumentum, na 1ª Edição, em Março de 2009.
O projecto dos Avieiros obteve autorização do director da Argumentum, Sr. Arquitecto Filipe Jorge, para a publicação deste trecho do livro, fundamental para se perceber a importância das construções palafitas dos Avieiros do Tejo e do Sado. Daqui ressalta também a relevância da cultura Avieira e das suas palafitas, que consideramos a única cultura palafítica fluvial europeia que permanece viva.
Ao Sr. director Arquitecto Filipe Jorge apresentamos os nossos melhores agradecimentos.
Gabinete de Coordenação,
(Candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)
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Cultura Avieira – Um património, uma identidade