uma criança a sorrir abril


cravos de abril

cravos de abril

 

trazer abril no peito

senti-lo sorrir

senti-lo chorar

a raiva e a alegria

no mesmo abraço

 

basta

um cravo ao peito

um cravo no peito

um cravo apenas

 

olho os peitos

as lapelas

que aos cravos devem

o estarem

e não os vejo não os vejo

 

na mão de uma criança

um cravo sorri

sorriso puro

de puro abril

primavera de um tempo outro

 

sorrio também

tenho uma criança dentro de mim

a sorrir abril

 

não trago novas


cais do chegado, murtosa

 

não trago novas

não as sei

há muito que caminho

tudo se repete

na ilusão

 

não trago novas

os nomes fui-os deixando

sobram alguns rostos

olhares mãos

palavras poucas

 

não trago novas

há muito que caminho

só isso sei

caminhar e perder-me

e é tanto

 

o pescador subirá para a bateira

onde o camarada o aguarda

partirão ambos a fazer a maré

eu

eu ficarei no cais mais um pouco

e regressarei a casa

 

são assim os dias

mesmo aqueles em que

não trago novas

(chegado, murtosa)