crónicas da xávega (195)


até um dia

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tudo fica agora longe
próximas
as imagens as memórias
o sentir ainda

descrevo o que vejo
ou sinto quando olho
e escrevo porque

as palavras
crescem da imagem
como da terra a árvore

e eu
eu sou ainda
o que não vai haver

parado num tempo
em que fui demais
para não voltar a ser

espero-vos
onde a espuma
adormece na areia
e há sempre esperança
de haver mar

até um dia

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(torreira; 2011)

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