com os bordões (estacadões na praia de mira) os pescadores impedem que as mangas corram pela areia e se tornem mais pesadas no alar e aparelhar.
(torreira; companha do arrais zé murta; 2006)
não
não escrevo o teu nome
seria (escre)ver-te
e eu quero-te assim
para além da degradação
que o tempo sempre
traz
quero-te a menina
de há 40 anos
num baile de verão
num abraço sem tempo
trazias as palavras
que eu não sabia
ensinaste-me
” a pedra do reino”
e a jóia eras tu
não
não escrevo o teu nome
sequer o murmuro
deixo que corra pelo silêncio
o grande silêncio onde moram
as palavras nunca ditas
mas com que sonhamos
todos os dias
até sempre
há momentos em que as máquinas não substituem a gorça humana, na xávega este é um deles e dos mais importantes.
quando a barca “arriba” traz com ela (onde faz fixe) a “cala” “mão de barca” (corda que fecha o cerco), mal o barco encalha na areia o arrais passa-a para a companha que, em terra, a espera para a levar a força de pulso até ao alador mecânico, sem lhe dar folga ou largar; o que faria perder todo o trabalho.
é na torreira, de todas as praias de xávega que melhor conheço, que as mulheres têm um papel fundamental na arte, neste registo fica bem patente a percentagem de mulheres que dão o seu esforçado contributo ao lanço.
(torreira, companha do marco, 2011)
e o “calão” chega à praia.
calão é um pau que serve para manter a manga aberta e impedir a fuga do peixe.
segundo alguns registos (dr.ª ana maria lopes) uma das formas de distinguir o aparelho da xávega do algarve, do da costa ocidental é que nesta não havia calão. as calas (cordas) amarravam directamente às mangas.
como se pode ver pela foto nada é imutável e cá temos o calão na costa ocidental.
( da esq. para a dir. : zé caldinho, manel caldinho e ricardo pinho)
torreira, 2006, companha do arrais zé murta