digo-me
serei mais uma gaivota
haja céu e mar
um sonho a perseguir
voarei até asas haver
(torreira; companha do marco; 2014)
as encomendas, com identificação de morada para remessa, devem ser feitas para o meu endereço de email ahcravo98@yahoo.com
“primeiro de agosto
primeiro de inverno”
(ditado da torreira)
chove em agosto
limpam-se as cores
tudo adquire por momentos
uma beleza lavada
onde os olhos se renovam
chove em agosto
e eu esqueço-me
dos insignificantes
estou vivo e isso me basta
(torreira; marginal da ria; 13/08/2015)
nunca
duas faces têm os dias
nunca saberás o peso
do fardo de ser
até te pesar nos ombros
o amargor das palavras
onde amor devia
duas faces têm os dias
verga-se não o corpo
mas o que dentro dele
mais frágil e sensível
é no mar que afogas
a raiva de seres assim
dares a outra face
nunca
(torreira; companha do marco; 2014)
recuso este futuro
não digo nada
nem bem nada mal
mostro o que vejo
digam-me que não devia
que não é este o postal
não digo nada
nem bem nem mal
mostro o que vejo
tem a força de ser real
lê tu o que eu vi
o que sentes?
eu vejo o futuro
que recuso aceitar

não comento o estado dos portos de abrigo da murtosa, nem os milhões ali gastos com fundos comunitários e nossos. mostro o que vejo
(murtosa; cais do bico; 2 de agosto de 2015)
se te apanho
deixaste os portugueses atrás
na fuga precipitada para o abismo
empurrado por uma europa
a que só resta um eu no centro
solidário consigo mesmo
deixaste os portugueses atrás
destruíste lares laços afectos
semeaste desespero fome abandonos
encheste os bolsos de alguns
fazendo deles o país não o povo
não me digas que depois de tantos
atrás deixares esquecidos que foram
menos no esbulhar dos haveres parcos
depois de tanto teres feito para tão poucos
a troco de trinta dinheiros embolsados
vigarices muitas falta de princípios basta
não me digas
portugal à frente
que à frente irás tu
tenha o povo memória
saibam as gentes o que querem
portugal à frente
e eu atrás de ti
se te apanho
(torreira; companha do marco; 2013)
a de alfinete
hoje quero dizer-te
um segredo
não existo
poucos o sabem
mas eu não existo
sou uma assombração
no dizer dos antigos
vim para incomodar
não para existir
por isso o meu nome
começa por a
como alfinete
vê lá não te piques
(murtosa; regata do bico: 2007)