eu sou tudo o que aqui encontras


e …. o livro está aí
a publicidade com a capa dentro

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“sou tudo o que aqui encontras”

as encomendas, com identificação de morada para remessa, devem ser feitas para o meu endereço de email ahcravo98@yahoo.com

atendendo ao facto de a impressão ser feita em frança, em pacotes de 40 unidades, e eu ser autor, distribuidor e vendedor, sem qualquer margem de lucro, a demora entre a encomenda/pagamento e envio poderá ser maior que o habitual. mas só assim se conseguem os custos mínimos.
uma antevisão do livro pode ser visionada em
em breve divulgarei a data de lançamento que, espero, será na primeira semana de setembro, na torreira

postais da ria (90)


“primeiro de agosto
primeiro de inverno”

(ditado da torreira)

chove

chove em agosto, na torreira

chove em agosto
limpam-se as cores
tudo adquire por momentos
uma beleza lavada
onde os olhos se renovam

chove em agosto
e eu esqueço-me
dos insignificantes

estou vivo e isso me basta

só não encontra beleza quem não a procura

só não encontra a beleza quem não a sabe ver

(torreira; marginal da ria;  13/08/2015)

crónicas da xávega (84)


nunca

o peso do saco

o peso do saco

duas faces têm os dias

nunca saberás o peso
do fardo de ser
até te pesar nos ombros
o amargor das palavras
onde amor devia

duas faces têm os dias

verga-se não o corpo
mas o que dentro dele
mais frágil e sensível
é no mar que afogas
a raiva de seres assim

dares a outra face
nunca

pesado fardo, duro caminho

pesado fardo, duro caminho

(torreira; companha do marco; 2014)

os moliceiros têm vela (133)


recuso este futuro

o "cristina e sara", do ti virgílio, espera pela maré para chegar ao cais. 

o “cristina e sara”, do ti virgílio, espera pela maré para chegar ao cais. 

não digo nada
nem bem nada mal
mostro o que vejo

digam-me que não devia
que não é este o postal

não digo nada
nem bem nem mal
mostro o que vejo

tem a força de ser real

lê tu o que eu vi
o que sentes?

eu vejo o futuro
que recuso aceitar

não comento o estado dos portos de abrigo da murtosa, nem os milhões ali gastos com fundos comunitários e nossos. mostro o que vejo

não comento o estado dos portos de abrigo da murtosa, nem os milhões ali gastos com fundos comunitários e nossos. mostro o que vejo

(murtosa; cais do bico; 2 de agosto de 2015)

crónicas da xávega (81)


se te apanho

a condução da manga

a condução da manga

deixaste os portugueses atrás
na fuga precipitada para o abismo
empurrado por uma europa
a que só resta um eu no centro
solidário consigo mesmo

deixaste os portugueses atrás
destruíste lares laços afectos
semeaste desespero fome abandonos
encheste os bolsos de alguns
fazendo deles o país não o povo

não me digas que depois de tantos
atrás deixares esquecidos que foram
menos no esbulhar dos haveres parcos
depois de tanto teres feito para tão poucos
a troco de trinta dinheiros embolsados
vigarices muitas falta de princípios basta

não me digas
portugal à frente
que à frente irás tu
tenha o povo memória
saibam as gentes o que querem

portugal à frente
e eu atrás de ti

se te apanho

a mão fechada sobre

a mão fechada sobre

(torreira; companha do marco; 2013)

os moliceiros têm vela (131)


a de alfinete

o cambar ou a roda dos moliceiros

o cambar ou a roda dos moliceiros

hoje quero dizer-te
um segredo

não existo

poucos o sabem
mas eu não existo

sou uma assombração
no dizer dos antigos

vim para incomodar
não para existir

por isso o meu nome
começa por a
como alfinete

vê lá não te piques

quem sabe, domingo dia 2 de agosto, vamos ver outra roda assim?

quem sabe, domingo dia 2 de agosto, vamos ver outra roda assim?

(murtosa; regata do bico: 2007)