o cansaço dos dias
o estar longe
o ainda não
eu volto
(ria de aveiro; torreira; solheira)

à frente o A Rendeiro, seguido do Zé Rito, fazem bordos que o vento é quem manda, as marés quem ordena e os edis quem decide
(isto não é um poema. quem dera fosse)
procurei e não vi
como eu muitos
perguntando por
onde o cartaz
a imagem
as letras gordas
a divulgação
o barco ainda vivo
a regata
o moliceiro?
onde?
procurei e encontrei
mas era diverso
o que os meus olhos
as gentes marinhoas
uma junta de bois
outra freguesia
isso sim
mas não devia ser só
por vezes os discursos finais
só servem para mascarar
falsas partidas
assim vamos por cá
(ria de aveiro; murtosa; bico; agosto, 2014)
(para o joão janz e o marco silva)
construir pontes
erguê-las na geografia
dos afectos por inventar
fazer dos amigos amigos
sermos mais
juntar mar e terra
trazer ao presente a memória
levá-la ao futuro
cavalgar as ondas dos dias
escrever cartas e ser delas o carteiro
estar vivo
nem sempre é cansaço e desilusão
(torreira; 2014)
parabéns marco
aos moliceiros resistentes
que fique destes homens
a memória de serem enormes
maiores que os barcos onde teimam
reviver um tempo onde jovens
noivos de uma ria que bela era
mais mereciam que as mansas falas
da pequena gente
que migalhas tardias distribui
apressada no aperto de mão
no sorriso fácil
no jeito de boiar na lama
as velas enfunar-se-ão uma vez mais
os moliceiros voarão por sobre as águas
a ria rejuvenescerá
tudo parecerá ser o que já não é
sem saber até quando será
até amanhã amigos
amanhã, dia 3 de agosto, há regata no bico. o vento parece que vai ajudar…
caminhantes da ria
sabem por onde e quando
entre serra e mar
cima e baixo
navegaram anos muitos
à vela vara sirga
por esteiros cales secos
são eles que fazem
os cisnes voar
moliceiros
(ria de aveiro; murtosa; bico; regata 2012)
domingo, dia 3 de agosto, há regata no bico, murtosa. ainda ……
procura o instante
o tempo dentro do tempo
o momento em que
sem vento
tudo parece parado
à espera
nada mais ilusório
é parado que o tempo
anda mais depressa
vive agora o ser agora
o que foi
o que será
são isso mesmo
bebe o mais ínfimo
fragmento da luz
fabrica o teu instante
já passou
(domingo, dia 3 de agosto, há regata no bico, ainda ….. aparece)
estou onde os meus olhos
reencontro de mim
com o tempo mais íntimo
sou ainda o que vejo
não o que se vê
espelhado nas janelas dos dias
o que fui
o que de mim quisera
que não se perdesse
esse jovem louco e cheio de vida
o que se perdeu e se encontrou
para se perder de novo
e melhor se encontrar
o que fui
é no que sou
aquilo que te deixo
para ser ainda
guarda-o
como se a mim
(ria de aveiro; murtosa; bico; regata 2012)
domingo dia 3 de agosto, há de novo regata, ainda …. espero por ti