no dia mundial da fotografia


a manga cresce sobre a praia

a manga cresce sobre a praia

a luz existe

por mais ínfima

 

luminosos

os amigos

mãos rostos gestos

histórias sem tempo

 

o instante prolongado

na contemplação do registo

a memória

 

a luz cresce

no abraço nos afectos

nas raízes mais fundas

sou todos aqui hoje

 

(torreira; companha do marco; 2014)

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regata de moliceiros, bico, 2014


à frente o A Rendeiro, seguido do Zé Rito, fazem bordos que o vento é quem manda, as marés quem ordena e os edis quem decide

à frente o A Rendeiro, seguido do Zé Rito, fazem bordos que o vento é quem manda, as marés quem ordena e os edis quem decide

 

(isto não é um poema. quem dera fosse)

 

procurei e não vi
como eu muitos
perguntando por

onde o cartaz
a imagem
as letras gordas
a  divulgação
o barco ainda vivo
a regata
o moliceiro?

onde?

procurei e encontrei
mas era diverso
o que os meus olhos
as gentes marinhoas
uma junta de bois
outra freguesia
isso sim
mas não devia ser só

por vezes os discursos finais
só servem para mascarar
falsas partidas

assim vamos por cá

 
(ria de aveiro; murtosa; bico; agosto, 2014)

 

crónicas da xávega, torreira (20)


 

e o maria de fátima vence de novo

e o maria de fátima vence de novo

(para o joão janz e o marco silva)

 

construir pontes
erguê-las na geografia
dos afectos por inventar
fazer dos amigos amigos
sermos mais

juntar mar e terra
trazer ao presente a memória
levá-la ao futuro
cavalgar as ondas dos dias
escrever cartas e ser delas o carteiro

estar vivo
nem sempre é cansaço e desilusão

 

(torreira; 2014)

 

parabéns marco

 

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postais da ria (23)


abílio carapelho (ti abílio carteirista)

abílio carapelho (ti abílio carteirista)

 

aos moliceiros resistentes

 
que fique destes homens
a memória de serem enormes
maiores que os barcos onde teimam
reviver um tempo onde jovens
noivos de uma ria que bela era

mais mereciam que as mansas falas
da pequena gente
que migalhas tardias distribui
apressada no aperto de mão
no sorriso fácil
no jeito de boiar na lama

as velas enfunar-se-ão uma vez mais
os moliceiros voarão por sobre as águas
a ria rejuvenescerá
tudo parecerá ser o que já não é
sem saber até quando será

até amanhã amigos

 
amanhã, dia 3 de agosto, há regata no bico. o vento parece que vai ajudar…

 

http://www.windguru.cz/pt/index.php?sc=48947

postais da ria (22)


 

manuel valas (vieira)

manuel valas (vieira)

 

caminhantes da ria
sabem por onde e quando

entre serra e mar
cima e baixo
navegaram anos muitos
à vela vara sirga
por esteiros cales secos

são eles que fazem
os cisnes voar

moliceiros
(ria de aveiro; murtosa; bico; regata 2012)

 

domingo, dia 3 de agosto, há regata no bico, murtosa. ainda ……

 

a preto e branco

a preto e branco

postais da ria (21)


 

 

regata do bico em 2010. num dia sem vento os cisnes não voam

regata do bico em 2010. num dia sem vento os cisnes não voam

procura o instante
o tempo dentro do tempo
o momento em que

sem vento
tudo parece parado
à espera
nada mais ilusório

é parado que o tempo
anda mais depressa

vive agora o ser agora
o que foi
o que será
são isso mesmo

bebe o mais ínfimo
fragmento da luz
fabrica o teu instante

já passou

 

 

(domingo, dia 3 de agosto, há regata no bico, ainda ….. aparece)

postais da ria (20)


 

 

cais do bico, agosto, 2012. antes da regata

cais do bico, agosto, 2012. antes da regata

 

estou onde os meus olhos
reencontro de mim
com o tempo mais íntimo

sou ainda o que vejo
não o que se vê
espelhado nas janelas dos dias

o que fui
o que de mim quisera
que não se perdesse
esse jovem louco e cheio de vida
o que se perdeu e se encontrou
para se perder de novo
e melhor se encontrar

o que fui
é no que sou
aquilo que te deixo
para ser ainda

guarda-o
como se a mim

 

(ria de aveiro; murtosa; bico; regata 2012)

 

domingo dia 3 de agosto, há de novo regata, ainda …. espero por ti

 

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crónicas da xávega, torreira (19)


 

 

 

ti horácio

ti horácio

 

tudo em nada se torna
é esse o trabalho do tempo

ao homem cumpre
em algo tornar
o nada que tudo foi

a memória
assassina-se preserva-se
constrói-se

serão rascunhos de imagens e palavras
o que vou semeando
nada mais que rascunhos

toma-os

 
(torreira; companha do marco; julho, 2014)