etimologia de xávega, xábega, jábega …. em castelhano


o mar faz o barco

porque é importante saber de que falamos quando falamos, é importante fazer aquilo a que os sociólogos chamam “operacionalização do conceito”, este é um dos textos linguísticos que melhor encontrei para ir até à raiz e, a partir dele, embora em castelhano, se fale de xávega sabendo o que é.

contributo que aqui deixo e que recolhi na net, embora não citando o link, está perfeitamente identificada a autoria e, com recurso a qualquer motor de busca encontrável.

 

Historia lingüística de jábega

do bordão e das suas funções no largar


 

ti antónio neto (falecido)

continuemos a falar do bordão

na praia da torreira, na hora da partida, o barco é seguro por 3 cordas e a muleta (de madeira)
as cordas são:

– o reçoeiro, extremidade da corda (cala) que, ligada à rede fica em terra, e enrolada na bica da ré é manejada pelo arrais  no segurar do barco

– a regeira da ré, também enrolada à bica da ré e mantida firme por um grupo de homens e mulheres

– a regeira da proa, presa por vezes a um dos golfiões da proa, e que é presa, em terra, a um bordão que é enterrado na areia.

desta forma se mantém o barco perpendicular à praia, fazendo frente às ondas sem risco de virar.

o ti antónio, que já lá vai noutros mares, era sempre, na companha do marco, o homem que levava o bordão da regeira da proa, o enterrava na areia e fazia.

de poucas palavras, como o bordão que tão bem conhecia.

até sempre ti antónio, neto de apelido, de que conheci o pai e cujos sobrinhos netos, que filhos não os teve, continuam na faina da xávega

(torreira; 2009)

o nó


 

 

o nó

 

por vezes, durante o alar das redes as cordas  formam nós – estranhas mãos que mar no moram.

é preciso que o nó seja desfeito antes de chegar ao alador, que poderá encravar e fazer parar toda a alagem.

os movimentos são rápidos, seguros, fortes, sentidos.

 

de um simples nó, pode resultar a perda de um lance.

 

xávega – o saco e a zorra


depois de se ter tirado todo o peixe do saco, de o limpar bem e sacudir é preciso carregá-lo na zorra ( espécie de trenó para areia), para o levar para seco, estendê-lo na areia e deixá-lo a secar.

depois de seco estará pronto a ser de novo carregado no barco (aparelhar) e a iniciar nova faina.

o transporte é sempre feito por recurso à zorra.

assim é na torreira, na praia de mira o esforço é feito por um tractor com um braço grande e colocado o saco num atrelado.

de praia para praia as técnica mudam. as designações também. falamos de designações, práticas e experiências que variam de praia para a praia, embora a arte de pesca seja a mesma e em pouco mudem os procedimentos

o saco e a zorra (I)

o saco e a zorra (II)

o saco e a zorra (II)

“Capitalismo e Decadência” de Francisco Oneto Nunes


~

no tempo das canastras

francisco oneto nunes é antropólogo e  professor do iscte, começou a sua actividade de investigador em vieira de leiria, tendo publicado vários artigos e livros sobre a xávega, de que se destaca ” A arte xávega na Praia da Vieira”, com fotografia de Dora Landau. Inicia-se aí a  sua paixão pela xávega, que desaguou na sua tese de doutoramento.

Com a tese de doutoramento a aguardar publicação, coordenou ainda o livro “Culturas marítimas em Portugal”,  editado pela Âncora em 2008.

É da sua autoria o texto que a seguir se publica

Capitalismo e Decadência – Francisco Oneto

inês amorim _ artes novas


joão vasques

A ESTRUTURA DAS “ARTES NOVAS” DA COSTA DE AVEIRO, AO LONGO
DA 2ª METADE DO SÉC. XVIII: MÃO-DE-OBRA, DIVISÃO DE TRABALHO,
FORMAS DE PROPRIEDADE E DIVISÃO DO PRODUTO*
Inês Amorim
Professora Auxiliar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto,membro do Instituto
de História Moderna da mesma Faculdade
Trabalho elaborado no âmbito do Projecto PCSH/C/HIS/108/95: Estruturas sócio-económicas e
industrialização no Norte de Portugal (sécs. XIX-XX).
Siglas: AA – Alfândega de Aveiro; ADA – Arquivo Distrital de Aveiro; “ADA” – Revista O Arquivo do Distrito de
Aveiro; AMA – Arquivo Municipal de Aveiro; ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo; BAJ – Biblioteca da
Ajuda de Lisboa; Cx – Caixa; DP – Desembargo do Paço; JC – Junta do Comércio; LR – Livro de Registo; LV –
Livro de Vereações; MR – Ministério do Reino; SN – Secção Notarial.
ANTROPOLOXÍA MARIÑEIRA
Actas do Simposio Internacional
in memoriam Xosé Filgueira Valverde
Pontevedra
10-12 de xullo, 1997
Presidente de Honra
ANTONIO FRAGUAS FRAGUAS
Coordinador
FRANCISCO CALO LOURIDO

A ESTRUTURA DAS “ARTES NOVAS” DA COSTA DE AVEIRO, AO LONGODA 2ª METADE DO SÉC. XVIII: MÃO-DE-OBRA, DIVISÃO DE TRABALHO,FORMAS DE PROPRIEDADE E DIVISÃO DO PRODUTO*Inês AmorimProfessora Auxiliar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto,membro do Institutode História Moderna da mesma FaculdadeTrabalho elaborado no âmbito do Projecto PCSH/C/HIS/108/95: Estruturas sócio-económicas eindustrialização no Norte de Portugal (sécs. XIX-XX).Siglas: AA – Alfândega de Aveiro; ADA – Arquivo Distrital de Aveiro; “ADA” – Revista O Arquivo do Distrito deAveiro; AMA – Arquivo Municipal de Aveiro; ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo; BAJ – Biblioteca daAjuda de Lisboa; Cx – Caixa; DP – Desembargo do Paço; JC – Junta do Comércio; LR – Livro de Registo; LV -Livro de Vereações; MR – Ministério do Reino; SN – Secção Notarial.ANTROPOLOXÍA MARIÑEIRAActas do Simposio Internacionalin memoriam Xosé Filgueira ValverdePontevedra10-12 de xullo, 1997Presidente de HonraANTONIO FRAGUAS FRAGUASCoordinadorFRANCISCO CALO LOURIDO

http://www.consellodacultura.org/mediateca/publicacions /antropoloxia_mar.htm

artes novas – ines amorim

falemos de xávega


(praia de mira; 2009)

xávega etimologicamente tem raiz árabe: “xabaka”, que quer dizer “rede”

em termos genéricos é o que podemos chamar uma “arte de arrastar para terra”, tal como o “chinchorro”.

em 1774 é publicada em madrid a “memoria sobre la pesca de sardina en costas de galicia” de d. josef cornid saavedra, “regidor de la ciudad de santiago”.

nesta memória, cuja edição facsimilada me foi amavelmente oferecida pelo “museo do pobo galego”, é definida de forma clara a diferença entre as duas “artes de arrastar para terra”: chinchorro e xávega.

– chinchorro : rede de malha quadrangular, sempre com as mesmas dimensões e em forma de funil

– xávega : rede de malha quadrandular, composta por duas mangas e um saco. a malha tem maior dimensão junto ao calão e vai diminuindo até ao saco.

ou seja: é o formato da rede que caracteriza esta arte de pesca e não o barco, como alguns pretendem

a xávega noutras regiões do globo:

sul de itália : sciabica
catalunha: jabega
galiza: xabega

a caldeirada


(muito resumidamente)

quando em 1751, segundo a prof. inês amorim, a xávega chega a portugal, mais precisamente à costa do furadouro e torreira, já os pescadores da ria iam ao mar, à sardinha, com grandes chinchorros.

o fechamento da barra da ria, só reaberta em 1808, fez com que os pescadores da ria levassem as suas artes para o mar e nele lavrassem a sardinha que abundava.

com o aparecimento das traineiras e, mais tarde, com a utilização do cerco americano na pesca da sardinha, é feita uma “limpeza” na costa e as companhas passam por momentos de crise e reconfiguração. muitas desaparecem.

era então comum, e foi-o durante muito tempo, uma retribuição em espécie (peixe) aos pescadores – a caldeirada, quinhão, rapola, teca (no sul).

hoje em dia, nas companhas que restam, já não é a sardinha a fonte de riqueza, mas sim o carapau. a retribuição em espécie, como regra, desapareceu e o normal é os pescadores levarem para casa, para o almoço ou a janta, peixe de pouco valor comercial.

neste caso, o dono da companha, josé monteiro, resolveu distribuir uma caixa de carapau por todos os membros da companha.

assim, fizeram-se 18 montes, que se foram acertando até ficarem praticamente todos iguais.

(praia de mira, companha do zé monteiro; 2009)

inês amorim – trabalho e tecnologia das pescas


há quantos anos?

inês amorim é professora catedrática da faculdade de letras da universidade do porto. natural de aveiro, doutorou-se em 1996 com a tese “aveiro e a sua provedoria no séc. XVIII (1690-1814).

investigadora profícua dos fundos documentais tem produzido, ao longo dos anos, um grande número de publicações de que destaco as sobre xávega, que considero das mais bem suportadas e estruturadas de quantas conheço.

aqui aparecerão todas as que consegui arranjar, mesmo pedindo à autora que foi de extrema solicitude.

o artigo que agora se apresenta, foi apresentado no VII congreso de la sociedad española de historia de las ciencias y de las técnicas, em pontevedra entre 14 e 18 de setembro de 1999.

não existindo em suporte informático foi-me enviado em fotocópias pela prof. inês amorim e a capa por inês pelleon, da associação.

o texto é fundamental para quem se preocupa com esta temática, a qualidade da sua visualização poderá não ser a melhor, atendendo aos procedimentos necessários para se chegar a um pdf.

ines amorim_transferencias tecnologia

o arribar em dois momentos


1º momento

e todos se salvaram

com as ondas a rebentarem em cima da ré do barco, a solução foi só uma:

os tripulantes saltaram todos do barco e foi feita a ligação dos cabos aos arganéis da proa e puxado o barco para cima.

à ré vai o arrais, marco, e agarrado ao castelo da proa o delmar viola.

o roçar na areia foi de tal forma intenso que foi necessário virar o barco em terra e aplicar uma nova forra ao fundo.

felizmente tudo acabou em bem

2º momento

com as ondas a rebentarem em cima da ré do barco, a solução foi só uma:

os tripulantes saltaram todos do barco e foi feita a ligação dos cabos aos arganéis da proa e puxado o barco para cima.

à ré vai o arrais, marco, e agarrado ao castelo da proa o delmar viola.

o roçar na areia foi de tal forma intenso que foi necessário virar o barco em terra e aplicar uma nova forra ao fundo.

felizmente tudo acabou em bem

(torreira; 2010)